Ex-militar é preso no Paraná suspeito de negociar armas com facções do Rio

Prisão do suspeito aconteceu durante uma ação nos dois estados para investigar um esquema de fabricação artesanal e comércio irregular de armas de fogo

Julia Farias, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo
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Um ex-militar da aeronáutica foi preso durante uma ação das polícias do Rio de Janeiro e do Paraná para investigar um esquema de fabricação artesanal e comércio irregular de armas de fogo. A prisão do suspeito aconteceu nesta quinta-feira (13), no bairro Parolin, em Curitiba (PR).

Segundo o delegado Rodrigo Brown, o homem, de 51 anos e que não foi identificado, já tinha antecedentes por venda ilegal de munições. "Ele negociava armas com os traficantes cariocas, enviando, adquirindo e até mesmo orientando como produzir munições e armas de fogo", explicou o delegado.

Na casa do ex-militar foram apreendidas cerca de 80 armas, munições, pólvora e máquinas de recarga. "[Esses materiais] davam a entender que essa pessoa [ex-militar] fornecia, produzia munições e também encaminhava os armamentos para todo o Brasil.

 

"Ele [o suspeito] possui registro de CAC (Caçadores Atiradores e Colecionadores), mas de apenas parte do material apreendido. Ele será autuado em flagrante pela posse do armamento de uso permitido e do armamento de uso restrito", concluiu o delegado.

O caso ainda é investigado para descobrir quem eram os clientes do suspeito, qual o destino final das armas e de qual local saíam os materiais que o ex-militar possuía.

Fabricação ilegal de armas

Na manhã desta quinta, uma ação conduzida pelas Polícias do Rio de Janeiro e do Paraná cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão nos dois estados.

De acordo com as investigações, o grupo alvo da operação mantinha uma estrutura voltada à produção e distribuição ilegal de armamentos, incluindo fuzismetralhadoras e munições de diferentes calibres.

As diligências começaram após a análise de dados obtidos em dispositivos eletrônicos apreendidos em uma etapa anterior da investigação. O material periciado revelou um intenso fluxo de mensagens e arquivos que indicam negociações recorrentes entre fabricantes, intermediários e compradores.

Segundo a polícia, havia evidências de lucros elevados e o uso de transportadoras privadas para o envio dos armamentos, com orientações específicas para disfarçar o conteúdo e esconder a identidade dos remetentes.

Durante as buscas, os agentes encontraram locais usados como oficinas e depósitos, onde eram armazenadas ferramentaspeçasinsumos e equipamentos para recarga de munições. Parte do armamento produzido ou adquirido de forma irregular era repassada a terceiros sem registro ou controle.