Acidentes com lareiras crescem mais de 25% no RS; saiba como se proteger

Parte das ocorrências envolve lareiras ecológicas, que utilizam combustível líquido inflamável

Gabriela Garcia, da CNN, Porto Alegre
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O frio intenso que se estabeleceu sobre o Rio Grande do Sul na última semana de julho, após forte massa de ar polar, causou temperaturas negativas em várias regiões do estado. Para esquentar, as lareiras estão entre as opções utilizadas durante o inverno. Contudo, o uso incorreto do equipamento pode resultar em acidentes.

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS), o número de ocorrências de incêndio envolvendo lareiras aumentou 25,8% em 2025. Até o início de julho, foram 112 registros. No mesmo período do ano passado, foram contabilizados 89.

O capitão do CBMRS, Manoel Maurício Ramos Neto, perito de incêndio e explosão e especialista em segurança contra incêndios, explica que muitos casos referem-se ao uso indevido da lareira ecológica, que funciona com combustível líquido inflamável.

Lareira ecológica

Os modelos utilizam álcool específico (etanol próprio para lareiras) como fonte de energia, produzindo chamas reais, embora sem fumaça visível ou necessidade de chaminé. Por utilizarem líquidos inflamáveis, qualquer descuido pode provocar incêndios ou acidentes graves.

Em maio deste ano, o ex-zagueiro Lúcio teve 20% do corpo queimado após um acidente com uma lareira ecológica, no Distrito Federal. O jogador recebeu alta em junho.

De acordo com Ramos Neto, um dos erros mais perigosos é tentar reabastecer o reservatório com o equipamento ainda quente ou em funcionamento. Mesmo que a chama pareça apagada, o calor residual pode causar a combustão instantânea do álcool, resultando em queimaduras severas.

"Outro ponto de atenção é em relação ao ambiente: como a combustão consome oxigênio e pode liberar gases nocivos, é indispensável que o local tenha ventilação adequada. Em ambientes totalmente fechados, há risco de acúmulo de monóxido de carbono — um gás invisível, sem cheiro e altamente tóxico", afirma o capitão.

Conforme o capitão, em caso de acidente, jamais tente apagar o fogo com água, pois o contato com líquidos inflamáveis pode espalhar as chamas. O correto é utilizar extintores adequados para líquidos inflamáveis (Classe B) ou lançar mão de métodos que eliminem o oxigênio, como abafamento com manta específica ou pano grosso.

Além disso, não é recomendado mover o equipamento enquanto ele estiver quente ou com combustível em uso. Há risco de derramamento e combustão imediata.

Cuidados essenciais no uso de lareiras ecológicas:

  • Certifique-se de adquirir o equipamento em lojas confiáveis, verificando se há certificação por órgãos como o Inmetro, o que garante o atendimento a normas de segurança;
  • Evite usar a lareira em locais muito pequenos e sem janelas abertas. Aguarde no mínimo 30 minutos após o uso antes de reabastecer o reservatório;
  • Não utilize álcool comum ou de posto, pois esses produtos não são indicados para esse tipo de equipamento e aumentam o risco de explosões ou queimaduras;
  • Instale a lareira afastada de objetos que possam pegar fogo com facilidade, como cortinas, tapetes ou móveis estofados;
  • Nunca deixe o equipamento ligado durante o sono ou sem supervisão direta;
  • Mantenha crianças e animais de estimação a uma distância segura, já que mesmo pequenas distrações podem causar acidentes.

Lareiras tradicionais

O capitão Manoel Maurício Ramos Neto também explica os cuidados indicados em relação às lareiras tradicionais.

"Elas devem ser utilizadas com proteção frontal (como grades ou telas) para evitar que fagulhas ou brasas alcancem materiais inflamáveis. É fundamental manter a chaminé limpa e em bom estado para garantir a saída dos gases da combustão", completa.