Casal vai a júri popular por assassinato de bebê e adolescentes no RS

Pai de santo e esposa são acusados de matar jovem, adolescente e bebê para ocultar paternidade e caso extraconjugal em 2025

Lauryn Amaral, da CNN Brasil*, Nathália Lauxen, da CNN Brasil, em São Paulo
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Um homem pai de santo e sua esposa irão a julgamento no Tribunal do Júri por feminicídio o e dois homicídios após denúncia do MPRS (Ministério Público do Rio Grande do Sul). Os crimes aconteceram em julho de 2025, em Esteio, região metropolitana de Porto Alegre. 

O pai de santo Jocemar Antunes de Almeida, de 45 anos, e a esposa dele, Belisia de Fátima da Silva, estão sendo acusados pela morte de Kauany Martins Kosmalski, de 18 anos, Ariel Silva da Rosa, de 16 anos e do bebê Miguel Martins Kosmalski, de 2 meses, filho de Kauany.

Segundo o MP, após a realização de um exame de DNA, foi comprovado que o homem religioso é pai biológico do bebê que faleceu em decorrência de um traumatismo craniano.

Kauany Kosmalski e Arial Silva da Rosa foram mortos por facadas, “com violência extrema”.

O promotor do caso, Rodrigo Mendonça afirma que o pai de santo e a esposa cometeram os homicídios para ocultar a paternidade do homem e o caso extraconjugal que teve com Kauany, para não interferir na imagem do casal dentro de sua comunidade religiosa.

É relatado ainda que os acusados teriam assassinado para garantir que o crime não seria denunciado. Os acusados acreditavam que o adolescente sabia que o homem havia se aproveitado da condição de pai de santo para enganar a jovem, alegando que as relações sexuais eram mantidas em contexto religioso.

De acordo com a denúncia, as vítimas foram atraídas pelos acusados para uma área isolada da cidade, com o argumento de que iriam realizar uma cerimônia religiosa. Após os crimes, os corpos foram ocultados em uma área de mata às margens do Rio dos Sinos.

O casal responderá por feminicídio quintuplamente majorado, dois homicídios quadruplamente qualificados, ocultação de cadáver, corrupção de menores e outros crimes conexos. O homem ainda responderá pelo crime de violação sexual mediante fraude. Os dois estão presos preventivamente. A data do julgamento pelo Tribunal do Júri ainda será definida.

Relembre o caso

O triplo assassinato ocorreu em 20 de julho, em Esteio (RS). Kauany Martins Kosmalski, de 18 anos, e Ariel Silva da Rosa, de 16 anos, foram mortos a facadas, “com violência extrema”. Kauany teria levado cerca e 52 facadas, segundo perícia.

Miguel Martins Kosmalski, de 2 meses, filho de Kauany, faleceu em decorrência de traumatismo craniano.

Os corpos das vítimas foram encontrados três dias depois, dentro de uma cova, em uma região de matagal da cidade.

O pai de santo Jocemar Antunes de Almeida, de 45 anos, e a esposa dele, Belisia de Fátima da Silva, confessaram o crime à polícia. Além deles, dois adolescentes de 15 e 17 anos também teriam participado dos assassinatos e estão sob custódia.

A investigação apontou que Jocemar seria o pai do bebê assassinado e teria cometido o crime por medo de perder a posição de líder religioso, caso a traição de tornasse pública. Já Belisia teria participado do crime por ciúmes.

Ariel, também morto, seria amigo de Kauany e dos suspeitos, além de frequentador da casa do pai de santo.

“O motivo para a barbárie envolve o bebê, filho indesejado do pai de santo com a jovem quando ela ainda era menor de idade, e também o ciúmes da esposa e o medo de perder o posto de pai de santo em razão do envolvimento com a fiel”, diz a delegada Marcela Smolenaars, responsável pela investigação.

 

*Sob supervisão de Thiago Félix