Golpe do motel: grupo extorquia frequentadores com fotos e vídeos no RS

Esquema era coordenado dentro de presídios e criminosos chegavam a cobrar até R$ 15 mil para não expor supostos casos de infidelidade de frequentadores de motéis; operação da PCRS prendeu preventivamente três pessoas

Gabriela Garcia, da CNN Brasil, em Porto Alegre
Polícia Civil do Rio Grande do Sul realiza grande operação contra grupo que realizava extorsões contra frequentadores de motéis  • Divulgação/PCRS
Compartilhar matéria

A PCRS (Polícia Civil do Rio Grande do Sul) realiza, nesta sexta-feira (31), uma operação contra um grupo que extorquia vítimas após fotografar os veículos delas na saída de motéis em Porto Alegre (RS) e Região Metropolitana.

Três pessoas foram presas preventivamente, nos municípios de Eldorado do Sul, São Leopoldo e Charqueadas, no Rio Grande do Sul.

Conforme a investigação, o grupo fazia fotos e vídeos de veículos, principalmente de alto padrão, na entrada e saída de motéis da região. Com essas imagens, os criminosos utilizavam técnicas de engenharia social e aplicativos para obter dados pessoais das vítimas, como nome completo, número de telefone e informações sobre familiares.

Conforme a polícia, os criminosos então se passavam por detetives particulares e contatavam as vítimas, principalmente via WhatsApp.

Eles alegavam terem sido contratados pelos respectivos cônjuges para investigar uma suposta traição e ameaçavam expor o material fotográfico aos familiares. Para garantir o silêncio, exigiam pagamentos via Pix, com valores que chegavam a R$ 15 mil por vítima.

A investigação identificou que operadores externos estavam conectados a um núcleo de criminosos presos em diferentes unidades prisionais, na cidade de Charqueadas.

O coordenador técnico do golpe, segundo a polícia, é um detento de 32 anos, preso em Charqueadas desde 2016. De dentro da prisão, ele realizava as consultas de dados dos veículos e dos proprietários. O investigado possui passagens por extorsão, estelionato, homicídio, roubo de veículo e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Em outra unidade prisional de Charqueadas, a investigação identificou um núcleo que operava a partir de uma única cela. Três detentos atuavam em conjunto na execução das extorsões.

Essa é a segunda fase da operação. Ao todo, oito pessoas já foram presas, suspeitas de envolvimento no esquema.