Grupo que aplicava golpe do falso leilão é alvo da polícia em cinco estados

Operação mira organização criminosa interestadual que utilizava sites falsos para enganar vítimas; prejuízos superam R$ 700 mil apenas no Rio Grande do Sul

Beto Souza e Carolina Figueiredo, da CNN Brasil, em São Paulo
Com 86 ordens judiciais cumpridas em cinco estados, ação mira organização criminosa interestadual que utilizava sites falsos para enganar vítimas, resultando em prejuízos que superam R$ 700 mil apenas no Rio Grande do Sul.  • Reprodução
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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta quarta-feira (22), uma operação contra uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes do "falso leilão". Agentes cumpriram mandados de prisão, busca e apreensão e medidas cautelares em cinco estados do país. 

A Operação Mímedes foi liderada pela DPRCPE/DERCC (Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos), com o apoio de corporações de São Paulo, Goiás, Amazonas, Santa Catarina e Pará

A ação busca desarticular uma organização criminosa interestadual especializada em estelionato por fraude eletrônica, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O objetivo inicial era o cumprimento de 86 ordens judiciais, que incluíam oito mandados de prisão preventiva, 30 de busca e apreensão, 12 medidas cautelares diversas da prisão, 32 bloqueios de valores em contas no valor de R$ 800 mil e o sequestro de quatro veículos, incluindo um de luxo.

A operação foi finalizada com o cumprimento de todos os mandados de busca e apreensão, medidas cautelares e de bloqueio de valores. Em relação às prisões, sete pessoas foram presas, incluindo o líder do grupo criminoso, que foi preso em São Paulo. Uma pessoa segue foragida.

Também foram apreendidos veículos, dispositivos eletrônicos, documentos e outros itens que auxiliarão no aprofundamento das investigações.

A polícia estima que a atuação do grupo gerou prejuízos que superam R$ 700 mil só no Rio Grande do Sul, com cerca de 48 golpes aplicados entre janeiro e agosto de 2025.

Esquema milionário por trás do golpe

A investigação da Polícia Civil teve início após o registro de várias ocorrências por vítimas que, atraídas por supostos sites de leilões, arrematavam bens e realizavam pagamentos via pix para contas controladas pelos criminosos. Os bens, contudo, não eram entregues.

O grupo criava páginas falsas na internet, plagiando com perfeição sites de leiloeiros conhecidos. Essas plataformas fraudulentas eram massivamente impulsionadas por meio de anúncios em redes sociais, com investimentos de milhares de reais visando o maior alcance possível, conforme revelado por quebras de sigilo telemático.

Para ocultar a origem do dinheiro, os estelionatários utilizavam uma complexa rede de contas de passagem em nome de "laranjas" e empresas de fachada.

Segundo a polícia, a associação criminosa era capitaneada por um homem, de 32 anos, localizado em SP e apontado como o principal articulador e administrador do esquema, responsável por criar os sites fraudulentos e gerenciar o fluxo financeiro. Ele foi preso durante a operação.

Conforme as investigações, ele era auxiliado diretamente por sua companheira, de 29 anos, uma das principais centralizadoras financeiras, cuja conta movimentou quase R$ 2,3 milhões em cinco meses, valor usado para custear um padrão de vida de luxo incompatível com a renda declarada.