Mãe acusada de matar gêmeas no RS vai passar por avaliação de insanidade
Crimes ocorreram em outubro do ano passado na cidade de Igrejinha (RS), localizada a 90 quilômetros de Porto Alegre; decisão de avaliação atendeu a pedido da defesa
Gisele Beatriz Dias, 43 anos, vai ser submetida à avaliação de insanidade mental por determinação do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). Gisele é acusada de ter matado as duas filhas gêmeas de 6 anos em um intervalo de oito dias.
A decisão do colegiado acompanhou por unanimidade o voto da relatora, Desembargadora Viviane de Faria Miranda, e atendeu a pedido da defesa. Os crimes ocorreram em outubro do ano passado na cidade de Igrejinha (RS), localizada a 90 quilômetros de Porto Alegre.
Gisele Dias tornou-se ré em janeiro deste ano, passando a responder por duplo feminicídio qualificado.
O crime
No dia 7 de outubro, Manoela Pereira passou mal enquanto dormia. Ela chegou a ser socorrida ao hospital, mas não resistiu e morreu. Em 15 de outubro, a irmã dela, Antônia, morreu da mesma forma, no hospital, após sofrer uma parada enquanto dormia.
No caso de Manoela, o laudo da necropsia apontou “hemorragia pulmonar penetrando nos espaços aéreos com insuficiência respiratória, com um afogamento atípico por sangue, indicando como causa da morte “insuficiência respiratória” e hemorragia pulmonar”, causada por meio cruel (asfixia).

A ficha ambulatorial de Antônia relata “pupilas fixas, sangramento efusivo pela traqueia por suspeita de intoxicação por veneno de rato, causada por meio cruel (asfixia)".
Gisele está presa de forma preventiva desde dezembro de 2024, após o envio do inquérito policial pela Delegacia de Polícia de Igrejinha que indicia a mãe como principal suspeita pelas mortes Antes, ela estava em prisão temporária.
"Conduta perversa”
Responsável pela investigação, o delegado da Polícia Civil Ivanir Caliari afirmou que, segundo testemunhas, a mãe das meninas apresentava uma “conduta perversa”.
O delegado afirmou ainda que Gisele também já fez uma falsa acusação de estupro contra o pai das garotas. O homem não é investigado pelos assassinatos e a acusação de crimes sexual contra ele foi arquivada.
Já o advogado José Paulo Schneider, que defende Gisele, afirmou que o TJRS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul), corrigiu "um grande equívoco" e que é "fundamental" a realização do exame de insanidade mental da acusada.
Veja a nota completa da defesa:
"A decisão do TJRS reconhece um direito básico da acusada e, ao mesmo tempo, corrige um grave equívoco do magistrado, que, inicialmente, havia negado a instauração de incidente de sanidade mental.
Acontece que a acusada é comprovadamente portadora de patologias psiquiátricas, tendo estado internada, por ter tentado o suicídio, semanas antes dos falecimentos de suas filhas. Por isso, é fundamental o estudo médico da sua (in)sanidade mental, a fim de que se ateste se ela é ou não imputável penalmente.
Lamenta-se, por fim, que tenha sido necessário recorrer ao TJRS para que um direito legítimo fosse garantido. Essa demora processual era totalmente evitável, caso o magistrado tivesse, desde o início, reconhecido o óbvio."
*Sob supervisão de Thiago Félix


