MPRS denuncia cardiologista por crimes sexuais contra pacientes

Daniel Kollet foi denunciado por cometer abusos contra 3 pacientes em seu consultório; médico tinha sido preso em março deste ano

Julia Naspolini, da CNN Brasil*, Julia Farias, da CNN Brasil, São Paulo
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O MPRS (Ministério Público do Rio Grande do Sul) denunciou, nesta semana, o cardiologista Daniel Kollet por crimes sexuais cometidos contra três pacientes adultas durante atendimentos realizados em seu consultório particular. A denúncia foi divulgada nesta quinta-feira (16).

Esses casos ocorreram em datas diferentes, um em abril de 2024, um em janeiro e outro em março de 2026.

O médico tinha sido preso dentro do mesmo consultório, no dia 30 de março, por importunação sexual e posse sexual mediante fraude contra mais de 30 vítimas, em Taquara, no RS.

A denúncia, apresentada pela promotora de Justiça Silvia Inês Miron Jappe, enquadrou os abusos como estupro de vulnerável, com base no artigo 217-A, parágrafo 1°, do Código Penal, por três vezes.

Segundo o MP, os crimes ocorreram durante as consultas cardiológicas enquanto as mulheres estavam seminuas para realização de exames. Daniel se aproveitaria da confiança de suas pacientes, da sua posição como médico e da situação de vulnerabilidade do momento para realizar os abusos.

O órgão pede ao Poder Judiciário a fixação de valor mínimo para reparação dos danos causados às três vítimas, além da condenação dele. 

A CNN Brasil tenta contato com a defesa do médico, com o advogado Rômulo Campana. O espaço segue aberto.

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Relembre o caso

Segundo o delegado Valeriano Garcia Neto, durante as consultas, o médico aproveitava o momento em que as vítimas estavam sem roupa e se aproximava delas. Ele abraçava, beijava e acariciava as mulheres, sem o consentimento das mesmas.

Durante o depoimento de três vítimas, com idades entre 30 e 42 anos de idade, a polícia observou que os relatos eram semelhantes e coesos entre si demonstrando o modus operandi do suspeito. Em um dos casos relatados, a vítima possuía apenas 16 anos na época do crime.

A investigação apurou também que o médico agia desta forma há, pelo menos, dois anos e ao final da consulta, após os atos cometidos contra as vítimas, ele sempre pedia para manter segredo.

O delegado ainda afirmou à CNN Brasil, que, durante a prisão, o médico teria admitido, informalmente, que abraçava as vítimas, com a "intenção de demonstrar carinho e de orientações espirituais".

Na época da prisão, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) informou que medidas administrativas foram tomadas para investigação do caso. Veja nota na íntegra:

"O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) tomou conhecimento dos fatos, e medidas administrativas já foram tomadas para investigação do caso. A situação é grave e deve ser apurada com rigor. Se comprovada a denúncia, todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis."