RS: Justiça suspende instalação de câmeras em salas de aula de Porto Alegre

Lei havia sido sancionada pela prefeitura da capital gaúcha em 14 de novembro

Gabriela Garcia, da CNN Brasil, em Porto Alegre
Compartilhar matéria

A Justiça do Rio Grande do Sul suspendeu parte da lei que previa a instalação de câmeras de monitoramento dentro de salas de aula de escolas municipais de Porto Alegre. A determinação atende pedido do SIMPA (Sindicato dos Municipários de Porto Alegre), que moveu ação direta de inconstitucionalidade. A decisão foi assinada na última quarta-feira (26). A entidade afirma que a medida viola preceitos constitucionais e vai contra direitos de intimidade de professores e estudantes. Além disso, as câmeras também trariam prejuízo à liberdade pedagógica. O sindicato ainda questiona a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro.

Na decisão do Tribunal de Justiça, foi considerado que a lei, de origem parlamentar, avançaria sobre competências do Executivo. O documento traz pareceres técnicos e decisões de outros tribunais para corroborar que a instalação de câmeras com áudio tem potencial de cercear a liberdade e a livre manifestação do pensamento. Outro ponto abordado na decisão é o risco de implantação do sistema antes do julgamento definitivo da ação, que poderia gerar um prejuízo de mais de R$ 1 milhão na aplicação de recursos públicos.

A decisão determina a notificação das autoridades municipais para que, se for de interesse, prestem informações. Em relação a áreas externas e espaços comuns das escolas, a lei continua válida.

Relembre o caso

A Prefeitura de Porto Alegre sancionou, em 14 de novembro, uma lei que estabelece a implantação de um sistema permanente de monitoramento eletrônico em escolas municipais, inclusive, dentro de salas de aula. A lei foi proposta pelo vereador Jessé Sangalli (PL). Conforme estabelece a norma, as câmeras também devem ser instaladas em bibliotecas, parques e demais espaços de uso comum. A gravação deverá ser mantida ininterruptamente durante todo o período escolar, nos horários regulares de funcionamento da instituição.

Além disso, o acesso às imagens poderá ser disponibilizado a professores e pais ou responsáveis do aluno, para fins de apuração de fatos ou investigações administrativas ou criminais.

De acordo com a prefeitura, a educação infantil é a prioridade na implantação do sistema.