RS: Mãe de menino espancado por pai missionário dos EUA é presa por omissão

Polícia Civil identificou indícios de castigos físicos e psicológicos contra as crianças sob pretexto de motivos culturais e religiosos

Khauan Wood e Giuliana Zanin, da CNN Brasil*, em São Paulo

A mãe do menino de 3 anos que morreu após ser espancado pelo pai foi presa preventivamente na tarde desta quinta-feira (9), em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Segundo a PCRS (Polícia Civil do Rio Grande do Sul), ela é investigada por suposta omissão e conivência no homicídio da criança, além de responder por suspeita de tortura contra os outros filhos do casal.

Entenda o caso: Menino de 3 anos espancado por pai missionário dos EUA morre no RS

O menino morreu na madrugada de quinta-feira após permanecer internado desde domingo (5) na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital de Pronto Socorro, em Porto Alegre.

O pai da criança, um norte-americano de 33 anos, que se apresenta como missionário evangélico, já havia sido preso após confessar as agressões. Em depoimento, ele afirmou ter dado socos no tórax e no abdômen do filho e batido a cabeça da criança contra o chão porque o menino não lhe deu "bom dia".

De acordo com a Polícia Civil, os ferimentos provocados pelas agressões deslocaram o coração da criança e causaram grave traumatismo craniano.

Para a investigação, a violência usada pelo rapaz torna improvável que a mãe, que estaria em um cômodo próximo, não tenha percebido as agressões ou tentado impedir o ataque.

Durante o inquérito, a polícia também identificou indícios de um histórico de violência contra os filhos da família. O casal vive no Brasil há nove anos, mudou-se para Viamão há cerca de sete meses e tem outros quatro filhos, de 1, 5, 7 e 9 anos.

Segundo a Polícia Civil, registros de ocorrências em Santa Catarina e em São Paulo apontam que os pais utilizavam castigos físicos e psicológicos como forma de disciplina, alegando motivos culturais e religiosos.

Em 2024, em Águas de Lindóia, interior paulista, a mulher já havia sido denunciada por agredir um dos filhos com golpes de cinto.

Apesar da prisão, a investigação também apura se a mulher era vítima de violência doméstica praticada pelo marido. Segundo a polícia, uma medida protetiva chegou a ser solicitada em favor dela.

Os dois pais passaram a ser investigados por suspeita de tortura contra os demais filhos. As quatro crianças foram encaminhadas para perícias física e psicológica e permanecem sob medidas de proteção do Conselho Tutelar de Viamão.

Veja a prisão da mulher

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo