Suspeito de comandar esquema em que aposentada perdeu R$ 37 milhões é preso

Homem, que não teve identidade divulgada, seria dono de uma das instituições financeiras investigadas pela polícia e teria recebido R$ 77 milhões; golpe é conhecido como "abate ao porco"

Vitor Bonets, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo
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O suspeito de comandar um esquema golpista que fez uma aposentada, de 70 anos, perder R$ 37 milhões, foi preso no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, na manhã desta sexta-feira (14).

Ele seria dono de uma das instituições financeiras investigadas pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul e teria recebido R$ 77 milhões em uma conta bancária vinculada ao seu CPF.

As investigações mostram também que o dinheiro foi depositado logo após o golpe que tirou todo o patrimônio da aposentada. A prisão contou com apoio da Polícia Federal. Segundo a corporação, ele pretendia embarcar em um voo comercial para a cidade de São Paulo. 

Entenda a operação

Nesta quinta-feira (13), a Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos deflagrou a operação para desarticular a estrutura financeira do grupo, cumprindo 90 ordens judiciais nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

A ação resultou na prisão de seis pessoas, sendo três donos de instituições financeiras que operavam a conversão de dinheiro comum para criptomoedas. Outros dois são estrangeiros, um deles sendo também proprietário de uma instituição financeira. 

Por fim, foi preso um gerente de um grande banco nacional, suspeito de facilitar a abertura de contas usadas pelo grupo para pulverizar os valores recebidos das vítimas.

O "pig butchering" ou "abate ao porco"

As apurações da Polícia Civil do Rio Grande do Sul revelaram um prejuízo causado por uma modalidade de fraude internacional conhecida como "pig butchering" ou "abate ao porco".

A aposentada teria ignorado conselhos do próprio corretor sobre investimentos de maior risco. O profissional indicava que ela deveria fazer aportes mais seguros. No entanto, a mulher decidiu romper com ele e buscar meios mais arriscados.

O crime, que tem origem no sudeste asiático, em países como Laos, Camboja e Mianmar, recebeu o nome porque os criminoso buscam "engordar" a vítima antes do "abate". O processo baseia-se na construção de uma relação de confiança de longo prazo.

No caso da aposentada, ela foi inserida em um grupo de mensagens que simulava uma comunidade de estudos sobre o mercado financeiro. Supostos especialistas e assistentes apresentavam análises de mercado positivas e lucros fictícios para dar credibilidade ao esquema, convencendo a mulher a realizar aportes cada vez maiores.

O problema surgia no momento do resgate. A plataforma bloqueava os saques e os criminosos passavam a exigir o pagamento de taxas e impostos inexistentes para que ela pudesse acessar o próprio patrimônio.

Números do crime

Estima-se que pelo menos 140 pessoas em todo o Brasil tenham sido expostas ao golpe. A investigação também revelou grandes movimentações de dinheiro. Uma das instituições investigadas movimentou R$ 295 milhões em um único dia em conversões para criptoativos.

Além disso, uma única empresa em São Paulo apresentou movimentação atípica de R$ 500 milhões durante o período investigado. O montante total de transações suspeitas identificadas pela polícia soma R$ 30 bilhões. 

Ao menos 140 potenciais vítimas estiveram expostas ao golpe financeiro.