Técnicos do conselho científico defendem prorrogação de restrições no Rio

Órgão tem caráter consultivo e suas recomendações não precisam ser seguidas pela prefeitura

Comércio com movimento fraco no Rio de Janeiro
Comércio com movimento fraco no Rio de Janeiro Foto: Cleber Rodrigues/CNN

Stéfano Salles e Thayana Araújo, da CNN no Rio de Janeiro

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As medidas restritivas impostas pela Prefeitura do Rio de Janeiro começaram a valer às 17h da última sexta-feira (5) e duram por uma semana. Mas, no Comitê Especial de Enfrentamento da Covid-19, que orienta o município com relação à adoção de políticas de combate à pandemia, o clima aponta para uma renovação das normas por mais uma semana.

Alguns integrantes do órgão ouvidos pela reportagem defendem a continuidade das medidas e entendem que essa seja, no momento, uma tendência. 

Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo é um dos membros do comitê que defende que a medida seja ampliada por mais uma semana. Quando as medidas foram determinadas pelo município, a taxa de ocupação dos leitos de UTI estavam na faixa dos 70%. Neste momento, está em 91%, e chegou a alcançar pico de 96%. 

O pediatra Daniel Becker é outro especialista do comitê a entender que seja necessária a prorrogação. Para ele, o comportamento da população durante a pandemia foi determinante para que as medidas que impedem a permanência de pessoas em vias públicas das 23h às 5h e que determina o fechamento de bares e restaurantes às 17h fossem tomadas pela prefeitura. 

“Toda essa confusão política, essa má condução da pandemia, gerou esse cenário. Uma falta de espírito público, de solidariedade, uma falta de capacidade de gerar condutas coletivas, como usar máscaras e não aglomerar. Nós perdemos essa capacidade. Então, isso tem que ser visto por políticas públicas. Acho que uma semana não é suficiente, com duas será possível melhorar um pouco o quadro”, analisa. 

O professor Marcelo Costa Velho, da Faculdade de Medicina da UniRio, entende que o aumento da taxa de ocupação dos hospitais da rede municipal é um indicativo de que o cenário demanda prorrogação das medidas. No entanto, tudo dependerá de uma nova análise dos indicadores. Quando tomou as medidas, a prefeitura se embasou no aumento do número de registros de síndrome respiratória aguda grave. 

“As pessoas que estão internadas atualmente foram contaminadas há bem mais tempo, não estão doentes há dois ou três dias. E, quando estavam contaminadas, podem ter passado o vírus para outras pessoas, que tiveram processo de manifestação de sintomas posterior”, explica o especialista. 

Representante da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no colegiado, o pesquisador Rivaldo Venâncio foi cauteloso. “Meu feeling me leva a crer que as medidas devem ser prorrogadas, mas não é possível cravar um cenário com três ou quatro dias de antecedência”, pondera. 

O comitê tem caráter consultivo. Isto é, embora faça recomendações ao município, suas diretrizes não precisam ser obedecidas. Alguns outros membros insistiram que o posicionamento depende dos indicadores apresentados na ocasião da análise. No entanto, diante dos dados conhecidos até momento, nenhum deles disse, previamente, se contrário à prorrogação das medidas. 

O grupo tem 15 membros, entre quadros técnicos e representantes administrativos de instituições técnico-científicas do município, do estado, do país e de organizações da sociedade civil. 

A próxima reunião ordinária do órgão está prevista apenas para a segunda-feira, dia 15 de março. Até lá, o município já terá definido se prorroga ou não as medidas. Na sexta-feira (12) haverá a nova divulgação semanal do Boletim Epidemiológico do Comitê de Operações e Emergência (COE-Covid), que vai apresentar a situação da cidade com base nos dados das 33 regiões administrativas.

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