Tempestades de poeira podem se tornar comuns com o tempo, diz meteorologista

Em entrevista à CNN, meteorologista da Climatempo falou sobre as causas do fenômeno

Produzido por Vinícius Tadeu*da CNN

em São Paulo

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Na última sexta-feira (16), uma tempestade de poeira tomou conta de cidades do Mato Grosso do Sul com rajadas de vento que atingiram até 95 quilômetros por hora, derrubando mais de 60 árvores só na capital Campo Grande. Em entrevista à CNN, a meteorologista da Climatempo, Doris Palma, explicou o que causa o fenômeno.

De acordo com a meteorologista, as nuvens de poeira são uma combinação de vários fatores. “É comum nessa época do ano que antes da chuva chegar a gente tenha fortes rajadas de vento atuando sobre algumas regiões do Brasil. Esses ventos intensos, combinados com o solo seco devido a falta de chuva dos últimos meses, levantou toda essa poeira, que se misturou com essas nuvens de tempestade”.

Doris conta que essas tempestades ocorrem também por conta da intervenção humana. “A gente observa que essas tempestades de poeira normalmente ocorrem em grandes áreas de pasto e agrícolas. Se tivéssemos uma vegetação mais densa, com árvores e uma vegetação nativa, talvez não observássemos esse fenômeno ocorrendo com tanta frequência”, disse.

A formação dessas nuvens de poeira pode se tornar mais comum nos próximos anos. “De acordo com o relatório do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas], ao longo das próximas décadas essas secas tendem a se tornar mais frequentes e prolongadas no Brasil central. Com esses eventos de seca na região Centro-Oeste e parte da região Sudeste, talvez se torne cada vez mais comum a gente observar esse tipo de fenômeno”, afirmou.

/ CNN/Reprodução

A meteorologista explicou também que fenômenos como o La Ninã podem ser agravantes. “A falta de chuva na região Sul do Brasil é um reflexo da atuação do fenômeno La Niña. A gente já está com o fenômeno atuando no Oceano Pacífico e ele consegue influenciar nas condições de clima aqui do Brasil e principalmente nessa falta de chuva ao longo dos próximos meses na região Sul”, disse.

*(supervisionado por Elis Franco)

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