Temporada de baleias-jubarte está em alta no Nordeste

Pesquisadores brasileiros acompanham espécie há mais de 30 anos e, hoje, maior preocupação é com alta de encalhes na costa do país

Silvana Freireda CNN

Salvador

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Em três décadas, o número de baleias-jubarte em águas brasileiras aumentou 20 vezes graças aos trabalhos de recuperação da espécie e, com isso, elas deixaram de ser consideradas ameaçadas de extinção. Por outro lado, este ano houve recorde de jubartes encalhadas nas praias do país.

A reportagem da CNN foi até o município de Mata de São João, na Bahia, onde fica a Praia do Forte, um dos pontos de observação das baleias no estado. A antiga vila de pescadores hoje atrai turistas do mundo todo e abriga o Projeto Baleia Jubarte.

Em um passeio de escuna, os visitantes vão até o local em que é possível avistar baleias, a cerca de 10 km da costa. Os animais percorrem um longo caminho até o Brasil. Deixam as águas geladas da Antártida e cruzam o oceano em busca de temperaturas mais altas para se reproduzirem. Só nesse período, são cerca de 20 mil jubartes na costa brasileira.

“Esse ano elas começaram a ser observadas desde abril, o que geralmente começa a acontecer um pouco mais tarde, entre junho e julho. Mas não dá para prever quanto tempo elas vão continuar por aqui. Acreditamos que até novembro”, conta a bióloga Isabela Oliveira.

Há mais de 30 anos o Projeto Baleia Jubarte realiza pesquisa científica, turismo responsável e ações de educação ambiental, o que tem contribuído para a recuperação da população de jubartes do Atlântico Sul Ocidental.

“A primeira estimativa populacional da espécie girava em torno de mil baleias. Hoje, são mais de 20 mil baleias que aparecem pelo nosso litoral”, diz o coordenador do projeto, Enrico Marcovaldi. “Inclusive, a espécie saiu da lista de animais de extinção em 2014 e agora está como vulnerável.”

Baleias-jubarte são acompanhadas por pesquisadores brasileiros em projeto com mais de 30 anos / Reprodução/CNN Brasil (28.ago.2021)

 

As baleias-jubarte podem chegar a 16 metros de comprimento e 40 toneladas. São amáveis e normalmente viajam em pequenos grupos.

Na Bahia, hoje é possível observá-las, além de Praia do Forte, também em Salvador, Morro de São Paulo, Barra Grande, Itacaré, Porto Seguro, Cumuruxatiba e Caravelas. O Banco de Abrolhos, no Sul do estado, é a maior área de concentração da espécie na temporada reprodutiva.

A preocupação hoje é com os encalhes. 140 baleias da espécie já foram encontradas mortas no litoral brasileiro em 2021. Santa Catarina é o estado que mais registrou encalhes de baleias-jubartes neste ano, segundo o levantamento feito em todo o Brasil pelo Projeto Baleia Jubarte.

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