Tragédia de Paraisópolis: primeira audiência define se réus vão a júri popular
Ação policial culminou na morte de nove jovens, em 2019. Dos 13 policiais militares envolvidos, um deixou a corporação. Os demais seguem afastados das funções. Ninguém foi preso

Três anos e meio após a tragédia de Paraisópolis, ação policial na comunidade da periferia de São Paulo que culminou na morte de nove jovens com idades entre 14 e 23 anos, acontece a primeira audiência do caso.
O julgamento de 13 réus está marcado para o início da tarde desta terça-feira (25) no Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, na Barra Funda, na zona oeste da capital paulista.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, um dos indiciados não mais integra os quadros da Polícia Militar e os outros 12 seguem afastados das atividades operacionais até a decisão da Justiça. Nenhum dos denunciados pelo Ministério Público chegou a ser preso.
Na audiência desta terça-feira, serão ouvidos sobreviventes, acusados e testemunhas. Esta é uma etapa necessária para definir se os réus irão à Júri Popular, responder por homicídio doloso — quando há a intenção de matar.
O massacre de Paraisópolis ocorreu na madrugada do dia 1° de dezembro de 2019, no baile da DZ7. Os policiais entraram na comunidade e cercaram um quarteirão onde acontecia o maior fluxo de pessoas. Durante a ação foram usadas bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, além de tiros de balas de borracha, golpes de cassetetes e rajadas de gás de pimenta.
Por conta das ações policiais, ocorreu um tumulto e parte da multidão correu para um beco. Neste momento, segundo relatos, os moradores foram encurralados pela Polícia Militar. Os jovens morreram asfixiados com o spray de pimenta e bombas de gás. Um deles teve traumatismo.
A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo informou à CNN que acompanha o caso e solicita periodicamente informações aos órgãos competentes pela investigação e instrução, verificando os andamentos e buscando garantir a efetiva apuração, para controle da atividade policial.


