Tranquilidade sobre conteúdo não foi transmitida aos alunos, diz ex-presidente do Inep

O segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio acontece neste domingo (28) em todo o Brasil

Fernanda PinottiLayane Serranoda CNNDuda Cambraiada CNN*

Em São Paulo

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Maria Inês Fini, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e uma das idealizadoras do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ressaltou à CNN que, apesar das queixas sobre interferência do governo federal no conteúdo da prova, não houve inclusão de questões. “O que houve foi a retirada de itens que não retornaram, uma etapa da história que não foi inclusa”, diz.

Apesar de considerar “absurda” tal postura do governo, Fini garante que, na prática, esse movimento não interferiu na realização da prova para os alunos, já que os conteúdos requeridos continuam sendo aqueles do currículo do ensino médio.

“A matemática, a física, a química e a biologia estudada pelos alunos para se preparar foram suficientes para garantir o sucesso na prova. Porém, essa tranquilidade, lamentavelmente, não foi passada”, diz.

Abstenções

Sobre as abstenções na prova, que no primeiro dia de prova chegaram a 26% e, no segundo, ultrapassaram 50%, Fini ressalta que, historicamente a segunda etapa do exame tem menos participantes, mas reclamou da falta de iniciativa do Ministério da Educação no incentivo ao comparecimento.

“Quanta coisa o Ministério da Educação deveria ter feito para chamar os alunos para esta data de hoje”, diz.

Ela avalia ainda que a falta de comunicação eficiente sobre a possível interferência na prova e a insegurança gerada pela demissão dos profissionais do Inep pode ter contribuído para número de alunos faltantes.

O objetivo primário do exame, quando idealizado em 1998, era avaliar como os jovens conseguiriam contextualizar os conteúdos aprendidos na escola e aplicá-los em situações cotidianas.

“Queríamos sinalizar para os jovens e suas famílias que o que estávamos querendo deles eram estruturas de pensamento, e não apenas varreduras de conteúdo”, ela explica.

No início o Enem não era classificatório, servia apenas para avaliar os alunos que saíam do ensino médio. Em 2009, houve uma reformulação no modelo da prova que permite fazer uma classificação dos alunos de maneira rigorosa, para que o Exame seja utilizado como meio de ingressar no ensino superior.

(*Supervisionada por Layane Serrano)

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