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    Travesti Marina Mathey ganha Prêmio Bibi Ferreira e marca conquista inédita

    “Não é só mais um troféu de melhor atriz coadjuvante. Isso é um marco histórico”, afirma a atriz

    Atriz Marina Mathey ganha Prêmio Bibi Ferreira
    Atriz Marina Mathey ganha Prêmio Bibi Ferreira Foto: Rafael Marques

    Carol Raciunasda CNN

    São Paulo

    Em celebração e reconhecimento às produções do teatro nacional, o Prêmio Bibi Ferreira contou com um marco histórico na última quarta-feira (21): pela primeira vez na história, uma travesti venceu e levou um troféu para casa.

    Marina Mathey foi reconhecida como melhor atriz coadjuvante em musicais pelo seu trabalho em “Brenda Lee e o Palácio das Princesas”. Além dela, Verónica Velenttino, que também representa a letra ‘T’ da sigla LGBTQIA+, marcou o evento e ganhou na categoria Revelação em Musicais.

    “Simboliza o reconhecimento do meu trabalho, que para mim, sendo travesti, é algo que valoriza a trajetória que eu venho construindo no teatro, no audiovisual, como atriz, como cantora. Dá uma luz nesse caminho, é uma luz a mais”, contou Marina em entrevista à CNN. 

    Esse reconhecimento que a Marina cita se mostra ainda mais forte em um País onde pessoas trans e travestis enfrentam desafios para trabalhar de forma digna. De acordo com estimativas da Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra), apenas 4% da população trans feminina está em empregos formais. 

    Atriz Marina Mathey / Foto: Andy Santana

    O dado preocupante também está presente no meio artístico, como denuncia a atriz.

    A gente não vê travesti e pessoas trans ganhando e nem mesmo concorrendo ou sendo indicadas, porque aí também é reflexo de não estarmos na maioria dos projetos, de toda a marginalização da nossa população

    Marina Mathey, atriz

    Marina pontua ainda que, antes mesmo de chegar ao mercado de trabalho, essa parcela da população enfrenta a luta diária pela sobrevivência. “Quando eu recebi meu prêmio, fiz questão de agradecer às minhas ancestrais, porque elas, que já se foram ou até as que estão vivas ainda, abriram caminhos para que eu pudesse estar ganhando. Muitas morreram, não podendo nem chegar perto de fazer o que elas queriam da vida, mas estando na prostituição, lutando também por seus direitos”. No Brasil, a expectativa de vida de uma pessoa trans chega a apenas 35 anos. 

    Ainda assim, Marina mantém seu tom otimista e acredita que a realidade da comunidade trans e travesti está evoluindo. Para ela, é difícil não apenas chegar a lugares de destaque e reconhecimento, mas também permanecer. Por isso, na opinião dela, ganhar o Prêmio Bibi Ferreira é um marco histórico e o início de uma série de conquistas que vão acontecer.

    Marina também comentou sobre a importância de ter atores e atrizes em produções teatrais. “A gente começa a produzir as narrativas sobre nós, começa a escolher esteticamente como a gente quer dizer as nossas histórias não mais singularizadas nos projetos de outras pessoas cisgêneras.” 

    E para quem sobe degraus e alcança o sucesso em meio a tantos desafios, toda a comunidade deve ter o poder de viver conquistas. “Poder olhar para esses resultados e para essas reverberações está sendo muito feliz e prazeroso. Eu quero que todas as outras possam viver também essa plenitude, essa felicidade e prosperidade, porque isso não é para ser singularizado também”, afirma Marina Mathey.