UFRJ vai expor meteorito de mais de 4,5 bilhões de anos

Relíquia foi entregue ao Museu de Geodiversidade e servirá de estudo para pesquisadores que buscam entender a formação e evolução do sistema solar

Terceiro maior meteorito do Brasil está na Universidade Federal do Rio de Janeiro
Terceiro maior meteorito do Brasil está na Universidade Federal do Rio de Janeiro Foto: Divulgação/UFRJ

Isabelle Resende e Thayana Araujo, da CNN, no Rio de Janeiro

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O terceiro maior meteorito do Brasil já está no Museu de Geodiversidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Zona Norte do Rio. Adquirida por meio de um movimento colaborativo para arrecadar doações e com incentivo da Fundação de Amparo à Pesquisa (Faperj), a rocha ficará em exposição ao público. Além disso, pesquisadores brasileiros poderão estudar a composição dos corpos asteroides e entender a formação e a evolução do sistema solar.  

O meteorito tem por volta de 4,5 bilhões de anos e caiu no planeta há supostamente mais de mil anos, tendo sido descoberto em uma fazenda de Campinorte – a 300 quilômetros de Goiás. A relíquia foi entregue à universidade na última quinta-feira (12).  

A Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) doou R$ 350 mil para cobrir os custos de aquisição, logística de transporte e preparação do espaço no Museu de Geodiversidade. No total, foram gastos R$365 mil.  

A descoberta do meteorito foi reconhecida pelo Meteoritical Bulletin (n.°99), em 2011, não havendo outro semelhante em todo o mundo. Composto basicamente por metais (ferro-níquel), como os já conhecidos Bendegó e Santa Luzia, o meteorito foi submetido a análises parciais – 20 gramas que já estão depositadas na UFRJ e 80 gramas cedidas à Universidade de Alberta, no Canadá. 

De acordo com Maria Elizabeth Zucolotto, astrônoma do Museu Nacional/UFRJ, a Universidade terá os três maiores meteoritos encontrados no Brasil.  

“Eles são fragmentos de corpos extraterrestres – no caso, asteroides. Milhões de dólares são gastos para enviar sondas ao espaço e coletar amostras desse material, a exemplo da sonda Hayabusa, que recolheu poucas gramas do asteroide Itokawa. Sem quase custos em comparação, podemos estudar os corpos asteroidais e entender a formação e a evolução do sistema solar”, disse a professora. 

O meteorito é diferente de todos os outros existentes no mundo, sendo classificado como “não grupado” (ungrouped), e, segundo a astrônoma, de grande relevância científica.  

“Nunca um meteorito com essa classificação foi devidamente estudado, e é uma peça de atração para museu devido ao seu tamanho”, disse Zucolloto. 

Para o diretor do Instituto de Geociências da UFRJ, Edson Farias Mello, “uma amostra de uma dessas espécies é de suma importância, até porque somos uma das partes da UFRJ que estuda o planeta. Os meteoritos guardam a memória dos instantes iniciais da formação da Terra. Isso porque são materiais originados no mesmo instante em que o planeta surgiu, conforme aceito pela Teoria do Big Bang. Ao contrário dos materiais terrestres, que sofreram muitas transformações desde sua formação, eles se mantêm inalterados. Por isso, fornecem com exatidão a idade da Terra”. 

Participaram do movimento colaborativo a Fundação Coppetec, o Museu de Geodiversidade, a Casa da Ciência da UFRJ, pesquisadores do Museu Nacional e diversas pessoas físicas que adotaram a ideia de ter o meteorito na UFRJ. “Nosso objetivo foi trazer um importante patrimônio natural brasileiro que desejamos que continue em nosso país e seja um elemento para o avanço da educação em ciências”, afirmou o presidente da Coppetec, Fernando Peregrino.

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