Viatura da PRF utilizada como “câmara de gás” durante abordagem passa por perícia

Genivaldo de Jesus Santos morreu asfixiado ao ser preso no porta-malas do carro com gases em seu interior

MPF (Ministério Público Federal) abriu procedimento para acompanhar as investigações
MPF (Ministério Público Federal) abriu procedimento para acompanhar as investigações /Divulgação

Pedro Zanattada CNN

em São Paulo

Ouvir notícia

Peritos da Polícia Federal (PF) realizaram neste sábado (28) a perícia da viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) onde Genivaldo Jesus Santos, de 38 anos, foi morto durante uma abordagem nesta semana. Até o momento, não foram divulgados maiores detalhes.

O caso ocorreu na cidade de Umbaúba, em Sergipe, na quarta-feira (25). Vídeos compartilhados em redes sociais mostram a viatura da PRF sendo usada como uma “câmara de gás” com a vítima presa no porta-malas.

Genivaldo sofria de distúrbios mentais, segundo relatos de familiares. O laudo inicial do Instituto Médico Legal confirmou o óbito por asfixia e insuficiência respiratória. As polícias Civil e Federal investigam o caso.

Abordagem

O sobrinho da vítima, Wallyson de Jesus, disse que o tio parou para os policiais e chegou a avisar que estava com remédios no bolso.

“Foi dada a ordem de parada, ele parou, botou a moto no descanso e atendeu todos os comandos. O policial pediu pra ele levantar a camisa, ele fez e falou que estava com o remédio no bolso e com a receita médica indicando que ele tem problemas mentais, foi quando o policial chamou reforço”, relatou.

Segundo Wallyson, outros dois policiais chegaram e iniciaram o que o sobrinho chamou de “sessão de tortura.”

“Pegaram ele pelos braços e pelas pernas. Quiseram colocar algemas nos pé dele, mas não coube e pegaram uma fita lá dentro e amarraram nele. Começaram a pisar nele e depois de tudo isso ocorrido, eles pegaram meu tio, colocaram na viatura e colocaram uma granada daquela de gás”, relata o sobrinho da vítima.

As imagens mostram dois policiais segurando Genivaldo dentro da viatura, com as pernas pra fora.

De acordo com o depoimento de Wallyson, as pessoas que estavam próximas disseram aos policiais que Genivaldo tinha problemas de saúde.

“A viatura cheia de gás lacrimogêneo lá dentro e ele no porta malas, foi quando a população não aguentou que estava todo mundo vendo aquilo e começaram a gravar”, disse o sobrinho.

Acompanhamento de investigações

O MPF (Ministério Público Federal) abriu procedimento para acompanhar as investigações. O órgão requisitou informações à Polícia Civil de Umbaúba e também que a Polícia Federal instaure inquérito ou informe o número do inquérito que tenha sido instaurado para apurar os fatos.

De acordo com comunicado, o MPF também pediu à Polícia Rodoviária Federal informações sobre processo administrativo instaurado para abordar a abordagem policial. O prazo para os órgãos enviarem resposta ao MPF é de 48 horas.

*Com informações de Vianey Bentes

Mais Recentes da CNN