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    CNN Plural

    Você sabe o que é o “teste do pescoço”?

    Quantas pessoas pretas estão no mesmo ambiente que você está agora?

    Letícia Vidicada CNN

    São Paulo

    Hoje, quero te fazer um convite. Pare por uns segundos. Olhe para o lado, olhe ao seu redor. Literalmente, vire a cabeça de um lado a outro. Então, me responda (mesmo que em pensamento): quantos negros você viu? Quantas pessoas pretas estão no mesmo ambiente que você está agora?

    Esse é o chamado “teste do pescoço”. Uma forma simples e rápida – muito utilizada por, nós, pessoas pretas – para identificar a presença ou ausência de negros nos espaços. E, quando os pretos estão ali, a pergunta que não quer calar é: em quais posições eles estão? Isso diz muito sobre desigualdade social e econômica no Brasil.

    Apenas a presença preta nos espaços não é suficiente. Cumpre – de certo modo – a representatividade mas saber onde elas estão diz muito sobre inclusão. Se você viu negros no seu redor, pergunte-se: onde eles estão? Estão na frente ou atrás do balcão? São os que pedem a conta ou os que trazem a maquininha pra pagar? São os que entregam a chave do carro ao manobrista ou são os que pegam o carro para guardar? Sem demérito algum às profissões mas é preciso observar isso.

    Num país de maioria negra – 56% da população é preta e parda – não é essa maioria que está no topo da pirâmide social. Os negros ainda ranqueiam vários índices de desigualdade social, apesar dos avanços. Ainda são os que têm menores rendas, baixos índices de escolaridade, são as principais vítimas de violência e ainda são minoria na “high society”.

    Sim, os avanços não podem e não devem ser ignorados. Mas ainda estamos caminhando. Ainda giramos o pescoço e nem sempre nos vemos nos espaços. E ocupar os espaços não é invasão mas sim uma reparação histórica e a melhor forma de se conseguir uma igualdade social e econômica.

    Na próxima semana, o Brasil somará 135 anos de Abolição da Escravatura. Um ótimo momento para refletirmos se abolimos, de fato, a escravidão ou se a senzala e a casa grande só mudaram de cenário. Pense nisso!

    E, se puder, assim que terminar de ler esse texto, pratique o teste do pescoço e se questione (sempre). Uma viradinha de pescoço no shopping, no clube, no aeroporto, na escola, no condomínio, na sua empresa… não faz mal a ninguém.Inclusive, vou ficando por aqui para que você possa fazer o teste aí. Bora lá?