À CNN, Boulos critica governadores por "omissão" em alta dos combustíveis

Ministro afirmou que o Brasil não pode depender do fim da guerra no Irã para resolver a questão da alta do diesel

Leticia Martins, da CNN Brasil, São Paulo
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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência Guilherme Boulos (PSOL), afirmou à CNN, nesta quarta-feira (25), que governadores estão se omitindo durante a crise da alta dos combustíveis que ocorre em decorrência da guerra no Oriente Médio

"Caminhoneiros não podem pagar o preço da ganancia das distribuidoras e da omissão de determinados governadores de estado", afirmou Boulos.

O ministro afirmou que o Brasil não pode depender do fim da guerra no Irã para resolver a questão da alta do combustível no país, e pediu que os governadores reduzam o ICMS nos estados.

"Terminar ou não a guerra no Irã não está na responsabilidade do Lula, é responsabilidade do Trump com seu sentimento de dono do mundo, nós não podemos depender disso, Brasil não pode ficar a mercê disso. Tá na hora de governadores fazerem sua parte e reduzirem o ICMS", prosseguiu.

Para o ministro, o aumento de preço "é crime contra economia popular" e "quem comete crime tem que ser tratado como criminoso. A Polícia Federal vai atuar sobre isso".

Greve por alta do Diesel

Mais cedo, Boulos recebeu representantes dos caminhoneiros no Palácio do Planalto. Na última quinta-feira (19), os caminhoneiros decidiram adiar a greve em meio a articulações com o governo. Na reunião de hoje, o Planalto negociou as reivindicações da categoria.

Sobre o tema, o ministro afirmou que não há razão "para ter greve nesse momento".

"Embora um grupo oportunista de bolsonaristas queriam insuflar para fazer politicagem em cima disso, mas as lideranças dos caminhoneiros entenderam que se a pauta dos trabalhadores estavam sendo atendidas, não tem porque fazer a paralisação", destacou.

O governo federal optou por retirar a cobrança de PIS e Cofins sobre o diesel como forma de frear a elevação do preço do combustível. A iniciativa busca diminuir os efeitos das variações do mercado internacional do petróleo sobre o valor do diesel no país.

Com a decisão, deixam de incidir os dois únicos tributos federais atualmente cobrados sobre o produto, o que gera uma queda de R$ 0,32 por litro. Segundo o Palácio do Planalto, a medida ajuda a aliviar a pressão sobre o diesel, considerado fundamental para o transporte de mercadorias, o setor agropecuário e o abastecimento urbano.

Ainda assim, dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram que, na segunda semana de março, o preço médio do diesel subiu 11,8% em comparação com a semana anterior. No mesmo período, a gasolina teve alta média de 2,5%.

Paralelamente, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar possíveis práticas abusivas nos preços dos combustíveis em todo o país.