Após consulta pública, mais de 58% pensam diferente da proibição dos vapes

A ANVISA divulgou os dados da consulta pública aberta até fevereiro deste ano. Das quase 14 mil pessoas que participaram, 58,8% disseram pensar diferente da regra atual, que proibe cigarros eletrônicos.

Da CNN Brasil, São Paulo
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A maior parte dos quase 14 mil brasileiros que responderam à consulta pública da ANVISA têm uma opinião diferente da atual proibição dos cigarros eletrônicos. O resultado da pesquisa, encerrada em fevereiro, indicou que 58,8% dos participantes da consulta pensam diferente da atual proibição.

Além disso, 57,7% disseram que a proibição da venda e do consumo dos vapes no Brasil possui impactos negativos. A consulta pública recebeu ainda contribuições internacionais de países como Canadá, Estados Unidos e Portugal, onde os cigarros eletrônicos são atualmente permitidos por meio de regulações.

De acordo com Johan Nissinen, membro do Parlamento Europeu pela Suécia, a regulamentação dos dispositivos eletrônicos é um caminho a ser seguido, e que já está em vigor no continente europeu.

"Eu espero que haja mais redução de danos, então cada país poderá trabalhar com o tema. E é neste processo que estamos. E acho que está indo na direção certa porque a UE tem uma meta de ser livre de fumo até 2040", diz o eurodeputado.

No Brasil, a ANVISA proibiu o consumo e a venda dos dispositivos em 2009. Mas, na contramão da norma, o consumo vem crescendo. De acordo com o IPEC, o consumo de vapes e cigarros eletrônicos cresceu 600% nos últimos seis anos.

Especialistas que apoiam a regulação dos dispositivos argumentam que um possível controle pela ANVISA poderia significar uma forma mais segura de consumo, como é o caso do médico pneumologista Rodolfo Behrsin.

"A liberação se for feita com uma regulamentação adequada, uma regulamentação parecida com as restrições que existem em relação ao cigarro, por exemplo multa forte para quem vender para menor de idade, campanhas falando que esses produtos devem ser usados apenas para pessoas que já são fumantes e que por motivos variados não vão parar de fumar... Fazendo uma regulamentação adequada a gente consegue restringir o acesso desse produto às pessoas que não são alvo desses produtos", diz o médico.

Outros especialistas também dizem que os vapes podem auxiliar aqueles que querem se ver livres de cigarros convencionais. Isso porque a adoção desses dispositivos pode ser, de acordo com esses especialistas, uma forma intermediária de uso de um dispositivo que contém nicotina, porém sem o tabaco - em detrimento à interrupção total. É a chamada "redução de danos", de acordo com a psicóloga Mônica Gorgulho.

"A questão das dependências... ela traz uma complexidade porque ela acaba também colocando na vida das pessoas um tipo de comportamento. A gente não pode acreditar, simplesmente que as pessoas vão fazer uma interrupção daquele uso porque então a gente determinou por lei que aquilo não pode acontecer. A gente já tem uma vasta experiência das substâncias consideradas ilícitas e a gente não pode repetir o mesmo erro agora na questão do tabagismo", conclui a psicóloga.