Fim da bandeira escassez hídrica não vai aliviar conta de luz, diz especialista

À CNN Rádio, Roberto Kishinami avaliou que reajustes tarifários nas grandes distribuidoras de energia vão anular efeito da mudança da bandeira de cobrança

Conta de luz: De acordo com Kishinami, o eventual alívio viria apenas no mês seguinte
Conta de luz: De acordo com Kishinami, o eventual alívio viria apenas no mês seguinte Marcelo Camargo/Agência Brasil

Amanda GarciaBruna Salesda CNN

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O fim da bandeira tarifária escassez hídrica — que vai acontecer no dia 16 de abril — não deve causar uma diminuição na conta de luz do consumidor, na avaliação do coordenador sênior no Instituto Clima e Sociedade, Roberto Kishinami.

Em entrevista à CNN Rádio, ele disse que a redução no valor da energia “não é factível”: “A medição da conta que vai ser entregue no final desse mês e início do próximo termina de 15 a 16, essa próxima conta ainda vai conter a bandeira escassez hídrica.”

De acordo com Kishinami, o eventual alívio viria apenas no mês seguinte, mas ele fez uma ressalva: “Vamos ter reajustes tarifários nas grandes distribuidoras, o que vai acontecer é a reposição da inflação passada, que é o que se faz no reajuste. Isso vai compensar a saída da escassez hídrica.”

O especialista ainda defendeu que a bandeira mais cara durou “mais do que o necessário”: “A bandeira tarifária serve para antecipar o caixa em empresas de distribuição para darem conta de um custo mais alto de geração de energia, isso ocorre porque a nossa energia é fundamentalmente hidrelétrica”.

Isso significa, portanto, que, na opinião dele, “com a falta de chuvas, o governo negou muito tempo a existência da escassez hídrica, o que obrigou a instalação de térmicas muito mais caras e que funcionaram por mais tempo do que o necessário. Se tivéssemos tomado a decisão antes, tem chovido a cântaros desde novembro, essa é uma situação provocada por falta de ação tempestiva do governo.”

Kishinami defende que “a profundidade agora desse período seco que começa em maio na verdade é incerta”, já que houve mudanças na sazonalidade das chuvas.

“Pode ocorrer de o período agora ser mais seco do que o normal, isso não significa necessariamente que precisaremos acionar térmicas, mas precisamos usar a água com parcimônia”, completou.

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