Investimentos em saneamento mais que dobram após marco legal, diz Abdib

Investimentos anuais no setor passaram de R$ 18 bilhões para R$ 42 bilhões; entidade diz que Brasil não cumprirá a meta de universalização até 2033, mas viverá o maior avanço da história do saneamento

Robson Rodrigues, da CNN Brasil, São Paulo
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O novo marco legal do saneamento colocou o Brasil em um ciclo de expansão sem precedentes dos investimentos no setor. A avaliação é do presidente-executivo da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), Venilton Tadini. Segundo ele, os aportes anuais saltaram de R$ 18 bilhões para R$ 42 bilhões, encerrando um período de mais de uma década de estagnação.

Entre os principais casos estão a privatização da Sabesp e da Copasa. Na avaliação de Tadini, o ritmo atual permitirá que o país realize, em apenas sete anos, um volume de obras equivalente ao que deixou de ser feito ao longo de sete décadas. “Não vamos universalizar em 2033, mas vai ser feito em sete anos o que não foi feito em 70 anos neste país em saneamento”, diz

Apesar do avanço, Tadini reconhece que a meta legal dificilmente será alcançada no prazo previsto. Segundo ele, as estimativas da Abdib indicam que seria necessário manter investimentos de cerca de R$ 50 bilhões por ano durante dez anos para universalizar os serviços de água e esgoto.

Nichos de resistência

Apesar do avanço dos investimentos, Tadini diz que ainda há “nichos de resistência” à participação da iniciativa privada, em alguns lugares do Nordeste. Segundo ele, essa resistência dificulta o avanço de novos projetos de saneamento.

O executivo defende também a criação de consórcios de municípios para reunir cidades, ganhar escala e tornar os projetos mais atrativos para investidores. Na avaliação da Abdib, esse modelo pode acelerar a expansão do saneamento em regiões onde os investimentos ainda avançam lentamente.