Ministério Público abre inquérito para investigar ações da prefeitura na cracolândia em SP

Atualmente, a região de uso coletivo e venda de drogas está concentrada na praça Princesa Isabel e em seus arredores

Operação da polícia na praça Princesa Isabel, em 11 de maio de 2022
Operação da polícia na praça Princesa Isabel, em 11 de maio de 2022 Alex Silva/Estadão Conteúdo

Luana Franzãoda CNN*

Em São Paulo

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O Ministério Público de São Paulo instaurou nesta sexta-feira (13) um inquérito para investigar a “regularidade das intervenções realizadas pela Prefeitura de São Paulo” na cracolândia, segundo comunicado da instituição. O processo também deve investigar os passos posteriores às ações em relação aos usuários de drogas como o crack, entre outras.

Atualmente, a chamada “cracolândia”, local onde predomina o uso coletivo e venda de drogas, em especial do crack, se estende pelas ruas do centro da capital paulista – concentrando-se na região da Luz e da praça Princesa Isabel.

Os promotores avaliarão o fluxo de internação voluntária ou forçada de dependentes químicos, o tratamento aplicado a eles, a abordagem de eventuais pessoas em situação de rua que, embora na região, não são dependentes químicos, entre outros aspectos das operações. De acordo com o MPSP, também será apurado se a internação de usuários era o “objetivo maior a ser alcançado como resultado de cada abordagem de usuário”.

Movimentação na cracolândia em maio de 2022, no centro de São Paulo / Werther Santana/Estadão Conteúdo

Na portaria de instauração do inquérito, os promotores ressaltaram que a segurança pública não era o principal aspecto de ações anteriores às de maio deste ano, e também não tinham como meta a dispersão das pessoas da região para outros pontos da cidade.

Para os membros do MPSP, “as ações desencadeadas agora pelo Poder Público têm grandes semelhanças com intervenções anteriores que, por meio da violência física e psíquica, impeliam os dependentes químicos a buscar tratamento, e depois do gasto de milhões de reais, fracassaram”, declarou o órgão em nota.

Os promotores querem ouvir o coordenador técnico do programa Redenção, anunciado pela prefeitura com o objetivo de oferecer tratamento da dependência química a usuários internados voluntariamente, Arthur Guerra, o secretário municipal de Assistência Social, Carlos Bezerra Júnior, e outras autoridades.

A Polícia Civil de São Paulo realizou no dia 11 de maio uma etapa da operação “Caronte”, na praça Princesa Isabel. Ao menos 20 pessoas foram presas, mas apenas uma delas era alvo dos 36 mandatos de prisão expedidos. “Os alvos da operação são traficantes que fornecem drogas para posterior venda a dependentes químicos”, afirmou a Polícia.

*Sob supervisão.

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