STF começa a julgar nesta semana suspensão da quebra de sigilo de Lulinha

Ministros vão decidir se mantêm decisão de Flávio Dino que barrou medidas aprovadas em bloco pela CPMI do INSS

Fernanda Fonseca, da CNN Brasil, Brasília
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O plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) começa a julgar nesta semana se mantém ou derruba a decisão do ministro Flávio Dino que suspendeu as quebras de sigilo aprovadas pela CPMI do INSS, incluindo a do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O caso será analisado no plenário virtual da Corte entre os dias 13 e 20 de março. Nesse formato de julgamento, os ministros apresentam seus votos eletronicamente.

O julgamento envolve uma liminar concedida por Dino no início do mês. Na decisão, o ministro suspendeu medidas aprovadas pela CPMI do INSS que autorizavam a quebra de sigilo bancário e fiscal de citados no caso de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.

Entre os alvos dessas medidas estava Lulinha.

Ao suspender as quebras de sigilo, Dino afirmou que a comissão não poderia autorizar medidas invasivas de forma coletiva, sem análise individualizada de cada caso.

“Não sendo cabível o afastamento de direitos constitucionais ‘no atacado’, com votação ‘em globo’, sem análise fundamentada de cada caso, regular debate e deliberação motivada", escreveu o ministro.

Em 26 de fevereiro, a CPMI votou de uma só vez 87 requerimentos de deputados e senadores, incluindo as quebras de sigilo de Roberta Luchsinger e de Lulinha. A base do governo contestou a medida, mas a deliberação da comissão foi mantida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em decisão anunciada em plenário na terça-feira (3).

Segundo o ministro, a votação não atendeu às exigências constitucionais de fundamentação para esse tipo de medida.

De acordo com Dino, embora CPIs e CPMIs tenham poderes de investigação semelhantes aos de autoridades judiciais, as decisões que determinam quebra de sigilo precisam ser devidamente justificadas e analisadas caso a caso.

Com a liminar, as quebras de sigilo aprovadas pela comissão ficaram suspensas. O ministro também indicou que o colegiado do Congresso pode voltar a analisar os requerimentos, desde que realize debate e votação individualizada das medidas.

“A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito deve, se desejar, proceder à nova deliberação das quebras de sigilo […] com análise, debate, motivação e deliberação de modo fundamentado e individualizado", diz.

Agora, cabe ao plenário do STF decidir se mantém ou derruba a decisão do relator.

Entenda o caso

A controvérsia começou após a CPMI do INSS aprovar, em fevereiro, dezenas de medidas de investigação em uma votação conjunta. Entre elas estavam pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal de pessoas citadas nas apurações.

Inicialmente, Dino suspendeu a quebra de sigilo da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, que havia acionado o STF por meio de mandado de segurança.

Em seguida, o ministro estendeu os efeitos da decisão a outros investigados atingidos pela mesma votação da comissão.

Segundo Dino, a decisão não impede que a CPMI determine novas quebras de sigilo, desde que o procedimento seja feito de forma individualizada e com fundamentação adequada.