Lula leva ao STF áudios em que PF admitiria ilegalidades em processo


Gabriela Coelho Da CNN Brasil, em Brasília
07 de março de 2020 às 15:27 | Atualizado 07 de março de 2020 às 15:42
 

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao Supremo Tribunal Federal, nesta sexta-feira (6/3), a inclusão de um áudio da reunião entre um assistente da defesa e peritos da Polícia Federal que comprovaria uma série de ilegalidades cometidas contra o petista nas investigações envolvendo a doação de um terreno para a construção da sede do Instituto Lula, em São Paulo.

A defesa de Lula pede ao STF a suspensão de uma ação penal que envolve a doação do terreno pela Odebrecht. Segundo os advogados do petista, peritos da Polícia Federal admitiram que os documentos copiados do "setor de operações estruturadas" da empreiteira podem ter sido adulterados, em conversa com o assistente técnico da defesa Cláudio Wagner, indicado para apresentar um laudo complementar ao parecer técnico da PF. A gravação foi consentida pelos presentes.

Os advogados argumentam que estas alegadas irregularidades cometidas contra Lula basearam a acusação de pagamentos da ordem de R$ 700 mil no caso do sítio de Atibaia, além de doação de R$ 12 milhões como forma de suborno, quantia utilizada para a compra do terreno do instituto.

A defesa afirma que as provas que servem de base à ação penal seriam ilícitas, pelo fato de as mídias apreendidas terem supostamente sofrido interferência externa entre a apreensão e seu encaminhamento ao Ministério Público Federal (MPF) e depois, quando foram enviadas aos peritos criminais federais.

No dia 21 de fevereiro, o ministro Edson Fachin pediu que o procurador-geral da República, Augusto Aras, se manifeste sobre o novo pedido. A defesa do ex-presidente recorreu contra decisão que negou seguimento ao Habeas Corpus que tinha como objetivo suspender a ação do terreno.