Patrícia Campos Mello processa presidente Jair Bolsonaro


Gabriela Coelho CNN Brasil, Brasília
09 de março de 2020 às 11:02
Jair Bolsonaro é criticado após divulgar vídeo com chamado para manifestação

Jair Bolsonaro é processado por declarações a respeito da jornalista Patrícia Campos Mello

Foto: Antonio Cruz - 24.fev.2020/ Agência Brasil

A repórter Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, apresentou à Justiça de São Paulo, uma ação com pedido de indenização por danos morais contra o presidente Jair Bolsonaro. O motivo é o ataque a ela com ofensa de cunho sexual e a reprodução do insulto em perfis que ele mantém em redes sociais.

O processo, impetrado na sexta-feira (6), tem como foco a declaração de Bolsonaro, durante uma entrevista coletiva na frente do Palácio do Planalto, quando ele disse: “Olha aí a jornalista da Folha de São Paulo, tem mais de um vídeo dela aí. Eu não vou falar aqui que tem senhora aqui do lado. Ela falou que eu sou a tá tá tá tá do PT, tá certo? E o depoimento do River – River né? – Hans River, no final de 2018 para o Ministério Público, ele diz do assédio da jornalista em cima dele. Ela queria, ela queria um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim”, afirmou o presidente da República.

“Percebe-se o grau de desrespeito da fala do presidente, ao afirmar que a jornalista teria oferecido um orifício de seu corpo (“o furo”) em troca de informações que seriam publicadas contra a sua pessoa. Isso configura a imputação de fato ofensivo à honra da autora e gera, para o réu, o dever de indenizar”, diz trecho da ação. 

Segundo outro fragmento do documento levado à justiça, o presidente faz um jogo de palavras entre o chamado “furo jornalístico”, – notícia dada em primeira mão – e parte do corpo de uma pessoa. 

“O trocadilho misógino expõe a autora ao ridículo e à humilhação pública, ofendendo gravemente seu nome e honra, diz a defesa. A afirmativa em tom de zombaria, segundo a inicial, é “repugnante, covarde, machista e desprovida de qualquer embasamento com a realidade” e, como o autor da ofensa é o presidente da República, “reforça perante a sociedade preconceitos machistas e agressivos contra as mulheres”, citada a ação. 

Além de Bolsonaro, Patrícia Campos Mello também apresentou um outro processo contra Hans River, ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa via WhatsApp, que afirmou, na CPMI das Fake News que, quando apurava uma matéria, a repórter insinuou interesse de envolvimento íntimo com ele.

A Secretaria de Imprensa da Presidência da República informou à CNN Brasil que o Palácio do Planalto não irá comentar a ação - por ofensa de cunho sexual - movida pela jornalista Patrícia Campos Mello. (Com Rudá Moreira)