Bolsonaro critica medidas de estados: 'Remédio em excesso faz mal ao paciente'


Guilherme Venaglia Da CNN Brasil, em São Paulo
19 de março de 2020 às 19:57
O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro durante a live no Facebook

Foto: Reprodução/Facebook

O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quinta-feira (19) medidas tomadas por governadores de estados para conter a propagação do novo coronavírus. Em transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro não citou nomes, mas mencionou medidas relacionadas ao fechamento de comércios e divisas, adotadas em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente. O argumento do presidente é de que as medidas podem prejudicar a economia.

"Algumas autoridades estaduais estão tomando medidas. Tem gente que critica, tem elogio também, mas eu deixo claro remédio quando é excessivo pode fazer mal ao paciente. Uns querem fechar supermercado, outros querem fechar aeroporto, outros querem impor barreira na entrada dos estados. A economia tem que funcionar, porque caso contrário as pessoas vão ficar em casa e não vão ter o que se alimentar. Se faltar o emprego, falta o pão em casa e os problemas se avolumam", afirmou. 

Bolsonaro também afirmou que pedirá ao Ministério da Saúde que detalhe o quadro clínico dos pacientes que forem contabilizados como mortes relacionadas a COVID-19. A intenção da medida, segundo o presidente, é ver "até que ponto o vírus influenciou". "O nome a gente preserva a privacidade, mas a gente informa a idade e se a pessoa já sofria de alguma doença".

O presidente afirmou que o almirante Sergio Segóvia, presidente da Agência Brasileira de Promoção às Exportações (Apex), testou positivo para o novo coronavírus. Segundo Bolsonaro, tanto Segóvia quanto os ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Bento Albuquerque (Minas e Energia), também diagnosticados com a doença, estão bem de saúde e sem sintomas.

'Alongar a curva'

Apesar das críticas às medidas tomadas pelos governadores de estados, Bolsonaro defendeu as medidas tomadas pelo governo federal, como restrições do espaço aéreo e fechamento de fronteiras com outros países.

O presidente afirmou que é preciso "alongar a curva" das infecções, ou seja, diminuir a velocidade do crescimento do número de casos para evitar um colapso do sistema público de saúde.  “O trabalho de todos os países no momento é de alongar a curva da infecção, porque não temos meios de atender essas pessoas no hospital”, disse. 

Bolsonaro afirmou que a crise deverá diminuir apenas em "três ou quatro meses". Ele estima que a total normalidade deva ser retomada em "seis ou sete meses".

Jair Bolsonaro ainda afirmou que conversou com autoridades em Israel e que no prazo de um mês, o país terá uma vacina. “Se Deus quiser, mais uma vez Israel poderá nos socorrer desse mal que tem nos causado estrago.” 

Medidas

O presidente comemorou a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do reconhecimento do estado de calamidade pública no Brasil.

"Em grande parte, nós só podemos atender porque o Congresso aceitou nosso pedido de estado de calamidade pública. Então, é um momento que a gente vai extrapolar o teto e não vamos responder à lei de responsabilidade fiscal. Graças ao Congresso vamos poder atender essas pessoas”, comentou, sobre a medida que permitirá ao governo descumprir as previsões de déficit fiscal estabelecidas no começo do ano.

Bolsonaro ressaltou o fato de que o governo incluiu mais um milhão de beneficiários no programa Bolsa Família. Ele fez a ponderação que já adotou em outros momentos, de que o programa precisa ter "porta de saída", mas afirmou que "nesse momento de crise, fica mais difícil fazer a peneira".

Entre as medidas anunciadas pela equipe econômica, Bolsonaro disse que o governo vai fazer o possível para atender os trabalhadores informais. A expectativa é de que a medida alcance 20 milhões de pessoas. O governo destinará R$ 200 por trabalhador ao mês, o que totalizaria R$ 4 bilhões.