Bolsonaro culpa governadores por impacto econômico, diz Ronaldo Caiado


Da CNN, em São Paulo
25 de março de 2020 às 15:28 | Atualizado 25 de março de 2020 às 16:16
 
Em entrevista exclusiva à CNN, Ronaldo Caiado (DEM), governador de Goiás, afirmou ter se surpreendido com o pronunciamento feito ontem por Jair Bolsonaro (sem partido). Durante o discurso, o presidente criticou o fechamento de escolas, atacou governadores e culpou a imprensa pela crise provocada pelo novo coronavírus no Brasil. Para ele, o presidente colocou o peso político do impacto da pandemia na economia sobre os governadores.

“Ontem, realmente, fui surpreendido pelo pronunciamento do presidente da República, já determinando o cancelamento de todo esse bloqueio que está sendo feito por nós [governadores], por decisão conjunta com regras da OMS [Organização Mundial da Saúde] e do Ministério da Saúde. E, ao mesmo tempo, se referindo ao coronavírus como se fosse apenas uma gripezinha ou um pequeno resfriado, colocando sobre os ombros de todos os governadores a responsabilidade de desemprego ou de problemas maiores na área da economia do país”, disse.

“Em decorrência desse fato, dessa agravação que o presidente fez em caráter oficial ontem à noite, é que eu me posicionei dizendo que é realmente inaceitável e inadmissível você ter como um governador aliado ao presidente da República, que sempre estive ao lado para apoiar, ajudar, minimizar as crises e tentar buscar alternativas. De repende, eu sequer sou informado. Não existe nenhuma decisão, nenhuma consulta a comunidade científica, acadêmica, da área saúde. Simplesmente senta lá e diz 'agora vou mudar as regras'. Isso causa uma crise de governabilidade", continou.

Na terça-feira (24), Bolsonaro fez uma videoconferência com governadores do Centro-Oeste para discutir as ações de combate da COVID-19 no Brasil. 

Caiado afirmou que a reunião não teve nenhuma situação constrangedora e que o presidente estava 'afável' e que 'ouviu todas as solicitações dos governadores da região'.

“Nós mostramos que a solução do Centro-Oeste não é a mesma do Norte e do Nordeste. O clima foi extremamente harmonioso, não teve nenhum desentendimento", afirmou.