Mourão diz que posição do governo é de isolamento social


André Spigariol Da CNN, em Brasília
25 de março de 2020 às 17:49 | Atualizado 25 de março de 2020 às 18:39

A posição do governo é de "isolamento e distanciamento social", disse nesta quarta-feira (25) o vice-presidente Hamilton Mourão.

"O presidente não se expressou da melhor forma. O que ele buscou colocar é a preocupação com a segunda onda da pandemia, que são os efeitos econômicos. A posição do governo ainda é de isolamento", declarou.

A fala de Mourão contraria o que disse ontem, em cadeia nacional de rádio e televisão, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na noite desta terça, Bolsonaro criticou as medidas de prevenção do novo coronavírus (COVID-19) adotadas por prefeitos e governadores.

"Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de 'terra arrasada', com proibição do transporte, fechamento do comércio e confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o de pessoas com mais de 60 anos. Então, por que fechar escolas?", questionou o presidente.

"O vírus chegou e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar, os empregos devem ser mantidos e o sustento das famílias deve ser preservado. Devemos voltar à normalidade", minimizou o presidente na fala de ontem.

Apesar de dizer que o vírus "brevemente passará", na semana passada, a previsão do próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, era de que a fase mais aguda da epidemia do novo coronavírus vai durar ao menos até julho.

Conselho da Amazônia

O vice-presidente Hamilton Mourão anunciou nesta quarta que o recém-criado Conselho da Amazônia realizará ações de combate à disseminação da Covid-19. O órgão, que contava com 14 ministérios e não incluía a pasta da Saúde, agora contará com uma subcomissão para lidar com a saúde da região. O colegiado, presidido por Mourão, irá instalar postos avançados de saúde nas fronteiras da Amazônia Legal para fiscalizar a entrada de pessoas na região.

A declaração foi dada em entrevista coletiva na tarde de hoje após a primeira reunião do Conselho da Amazônia, que ocorreu por videoconferência, com a participação do ministro da Saude, Luiz Henrique Mandetta. Participam do colegiado, também, os ministérios: da Casa Civil, Justiça, Defesa, Relações Exteriores, Economia, Infraestrutura, Agricultura, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente, Desenvolvimento Regional, Secretaria-Geral da Presidência, Secretaria de Governo e Gabinete de Segurança Institucional. Na reunião de hoje, não participaram os ministros Paulo Guedes, da economia, e Augusto Heleno, do GSI.

Mourão ressaltou que a região tem pontos de difícil acesso e condições sanitárias precárias. Entre as preocupações do Conselho está a saúde dos povos indígenas. Inclusive, o representante do Ministério da Saúde no Conselho da Amazônia será o secretário responsável pela Saúde Indígena.

Com relação ao interior da Amazônia, ele ressaltou que o Conselho irá pedir à Marinha o apoio para fiscalizar as embarcações que transportam mercadorias pelos rios da região, com medidas de controle para evitar a disseminação do novo coronavírus.

Mourão disse ainda que o Conselho da Amazônia buscará reativar o Fundo Amazônia. No ano passado, o governo da Noruega bloqueou um repasse de R$ 133 milhões para o fundo, em virtude da reação do governo às queimadas na floresta amazônica. A Alemanha também suspendeu no ano passado R$ 155 milhões em investimentos na Amazônia. Segundo o vice-presidente, o governo brasileiro está em contato com os europeus para desbloquear os repasses.