Governo lança campanha 'Brasil Não Pode Parar' contra medidas de isolamento

Publicação no perfil oficial do governo federal no Instagram defende que quarentena deve se restringir apenas aos idosos

Da CNN, em São Paulo
27 de março de 2020 às 00:53 | Atualizado 27 de março de 2020 às 01:01
O governo do presidente Jair Bolsonaro lançou nesta semana uma campanha com o slogan "O Brasil Não Pode Parar", mote também adotado por apoiadores para defender o fim de medidas de isolamento social adotadas por governos estaduais e municipais contra a disseminação do novo coronavírus. 

A campanha também prevê que sejam produzidos vídeos institucionais. O valor do custo da campanha para os cofres públicos não foi divulgado. Uma publicação no perfil oficial do governo federal no Instagram defende que o isolamento deve se restringir apenas aos idosos, principal grupo de risco para a COVID-19.

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"A quase totalidade dos óbitos se deu com idosos. Portanto, é preciso proteger estas pessoas e todos os integrantes dos grupos de risco, com todo cuidado, carinho e respeito. Para estes, o isolamento. Para todos os demais, distanciamento, atenção redobrada e muita responsabilidade. Vamos, com cuidado e consciência, voltar à normalidade", diz o texto.

Essa outra modalidade foi definida pelo presidente Jair Bolsonaro como "isolamento vertical". Em contraposição ao presidente, governadores dos estados estão defendendo medidas de quarentena para conter a velocidade da propagação da doença, argumentando risco de que não haja estrutura suficiente para atendimento dos pacientes no sistema público de saúde.

Segundo o último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, o Brasil possui 2.915 casos confirmados do novo coronavírus, com 77 mortes relacionadas à COVID-19 já confirmadas. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, o Brasil provavelmente está entrando na "fase crítica" da pandemia e não deve ter redução de casos nos próximos 30 dias. 

"Vamos ter 30 dias muito difíceis", afirmou Gabbardo. "Quanto mais testes fizermos, maior será a quantidade de casos. Temos que levar em conta a questão da transmissibilidade e dos testes. Não faremos previsão, vamos fazer o possível para termos o menor número de casos e vítimas."

*Com Estadão Conteúdo