Paulo Guedes faz coro a Bolsonaro e pede economia em funcionamento


Anna Russi Da CNN, em Brasília
27 de março de 2020 às 16:54
 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, divulgou nesta sexta-feira (27) um vídeo no canal do ministério no YouTube em que se dirige aos brasileiros pedindo que apesar dos cuidados com a saúde, não se esqueçam de manter a economia em funcionamento.

"O alerta do presidente é: sim, vamos cuidar da nossa saúde, mas não podemos esquecer que ali na frente temos o desafio de continuar produzindo", disse.

O discurso do Guedes está alinado ao do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que tem criticando medidas de isolamento como forma de prevenção ao contágio pelo novo coronavírus. O presidente defendeu a reabertura do comércio e que apenas idosos e pessoas com doenças pré-existentes permaneçam em casa. 

Para Guedes, Bolsonaro não está diminuindo o problema e ameaça do coronavírus no país. "Ele está nos alertando que precisamos impedir uma desorganização da economia brasileira. Precisamos impedir uma crise de abastecimento no Brasil", comentou 

Segundo o ministro, as medidas que o governo já anunciou até agora, incluindo aquelas que ainda estão em estudo, para amenizar os impactos da doença na atividade econômica já chegam a um montante de R$ 700 bilhões que serão injetados na economia nos próximos três meses. 

Guedes reforçou ainda, que todos os brasileiros serão atendidos pelas medidas do governo federal. "Nenhum brasileiro vai ficar para trás. Nós vamos cuidar de todos e começamos justamente protegendo os mais vulneráveis", garantiu.

O ministro se referiu à crise da COVID-19 e seus impactos na economia como duas ondas que atingirão o Brasil. Ele reforçou que o momento é de união e de que o Brasil tem capacidade para "furar" as duas "ondas". 

"Estamos seguros de que vamos atravessar as duas ondas. A primeira é esse choque de saúde e a segunda onda é o desafio econômico. O Brasil vai atravessar as duas ondas e nós juntos vamos superar isso", garantiu.

Em uma primeira versão do vídeo, Paulo Guedes comentava sobre a Medida Provisória, ainda a ser publicada, que propõe que o governo adiante uma parcela de 25% do seguro-desemprego para trabalhadores que tiverem seu salário e jornada reduzidos, de forma a completar a renda dos mesmos.

Ele mencionou que, para setores econômicos mais atingidos pela crise, o adiantamento seria superior a 25%, de 33%. "Se o setor é mais atingindo, mais vulnerável ainda, e a receita caiu para zero, o governo banca em vez de 25% chega a 1/3 de forma a proteger os empregos", disse o ministro. No entanto, o vídeo foi retirado do ar, re-editado sem essa parte.  

Em nota, a assessoria de imprensa informou que a medida ainda está sendo trabalhada e que sofreu alterações e melhorias.

De acordo com a explicação, o complemento do governo será um percentual do seguro-desemprego, a que a pessoa teria direito, equivalente ao percentual de corte sofrido. A proposta do governo é de que as empresas possam reduzir a jornada dos funcionários em até 50%, com corte proporcional do salário. Ou seja, o benefício para os trabalhadores será maior do que o explicitado na primeira versão do vídeo, que tinha sido gravado.

"A medida será anunciada com mais detalhes assim que estiver concluída. Por isso iremos republicar o vídeo do ministro sem os percentuais citados. Pedimos desculpas pelo inconveniente, foi um erro de edição, onde mantivemos uma informação já modificada pelo ministro e equipe", informou a pasta.