PGR pede abertura de inquérito contra Weintraub por preconceito e discriminação


Gabriela Coelho e Daniel Adjuto, da CNN, em Brasília
14 de abril de 2020 às 17:29 | Atualizado 14 de abril de 2020 às 17:31
O ministro da Educação Abraham Weintraub (19.fev.2020)
O ministro da Educação, Abraham Weintraub
Foto: Marcelo Camargo - 19.fev.2020/Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (14), a abertura de um inquérito contra o ministro da Educação, Abraham Weintraub, para investigar a ocorrência do crime de preconceito ou discriminação depois de publicação no Twitter sobre chineses. 

Na semana passada, o ministro da Educação ridicularizou o sotaque chinês e sugeriu que a China, de propósito, pode se fortalecer com a pandemia do novo coronavírus. O embaixador da China no Brasil cobrou uma resposta oficial do governo.

O texto de Weintraub imitava a fala do personagem Cebolinha, da Turma da Mônica, que, ao falar, troca a letra "R" pela "L". O ministro ridicularizou o fato de alguns chineses, quando falam português, efetuarem a mesma troca de letras.

Na postagem, Weintraub insinuou que a China vai sair "relativamente fortalecida" da crise do coronavírus e que isso condiz com os planos do país de "dominar o mundo". Disse ainda que haveria, no Brasil, parceiros dos chineses nesse objetivo.

O pedido atende a uma solicitação do PSOL e foi feito pelo vice-procurador-geral da República Humberto Jacques de Medeiros. Caso o STF acolha a abertura do inquérito, a PGR poderá realizar diligências, ouvir o ministro e testemunhas. Ao final, o vice-PGR vai decidir se é o caso de denunciar o ministro da Educação ao STF pelo crime. A pena é de um a três anos de reclusão e multa.

A CNN procurou o MEC para saber se Weintraub quer se manifestar sobre o pedido da PGR e aguarda resposta.