Maia responde Bolsonaro: presidente nos joga pedras, Parlamento vai jogar flores


Da CNN, em São Paulo
16 de abril de 2020 às 20:46 | Atualizado 16 de abril de 2020 às 21:07
Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia em entrevista para a CNN (16.ab

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia em entrevista para a CNN 

Foto: CNN Brasil (16.abr.2020)

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se recusou a responder as críticas feitas a ele pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na noite desta quinta-feira (16). Em entrevista à CNN, o deputado classificou a fala de Bolsonaro como uma tentativa de mudar o assunto da demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

"O presidente ataca como um velho truque da política, para mudar de assunto. Para nós, o assunto continua sendo a saúde", disse ele.

Maia disse que não responderá a Bolsonaro "no nível que ele quer que eu responda". "O presidente não vai ter de mim ataques. Ele nos joga pedras, o Parlamento vai jogar flores ao governo federal."

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O deputado também disse que o povo está preocupado com a exoneração de Mandetta. "Vamos dar uma chance ao novo ministro, mas a saída do Mandetta assusta", disse. Ele comparou a situação a uma guerra, em que se trocou o principal general. 

Maia ressaltou que o momento pede união em torno de um só objetivo: salvar vidas. "A crise é horizontal, o isolamento é horizontal, não vertical. Não escolhemos quem vamos salvar", disse ele, em referência à estratégia proposta por Bolsonaro, em que só pessoas em grupo de risco adotariam o isolamento social. 

"Precisamos ter responsabilidade, sangue frio e pauta", falou. "O presidente passou 27 anos aqui [na Câmara dos Deputados], espero que tenha aprendido que aqui é a casa do diálogo."

O deputado lembrou as propostas que estão em pauta na casa legislativa agora para tentar mitigar os efeitos causados pela pandemia do novo coronavírus. Ele citou a aprovação do Orçamento de Guerra, a ampliação da renda básica emergencial e a criação de uma linha de crédito para o microempreendedor.

"Não podemos criar mais insegurança. Presidente, conte com a Câmara", declarou.