Teich toma posse como ministro da Saúde e cita 'incerteza' com COVID-19

Novo chefe da pasta apontou necessidade de ter mais informações sobre a nova doença

Da CNN, em São Paulo e Brasília
17 de abril de 2020 às 11:36 | Atualizado 17 de abril de 2020 às 12:44

O oncologista Nelson Teich tomou posse na manhã desta sexta-feira (17) como novo ministro da Saúde do governo de Jair Bolsonaro defendendo mais "informações' sobre o novo coronavírus para combater a pandemia e citando "incerteza" diante da doença. Em seu discurso, afirmou que assumir o ministério neste momento o maior desafio de sua vida.

Teich avaliou que a pouca quantidade de informações sobre a nova doença causa muita ansiedade e medo na sociedade, o que também dificulta o processo de tomada de decisões.

"Uma das características que eu tenho colocado sobre a COVID-19 é a pobreza de informação sobre a doença, sobre a evolução dela e possíveis tratamentos. Isso leva a um nível de ansiedade e medo que é enorme", afirmou, destacando a necessidade de se administrar o comportamento da sociedade durante a pandemia.

O novo ministrou afirmou que sua gestão na pasta vai se nortear pela busca de informação, incluindo que está disponível no Ministério da Saúde e nas outras pastas.

"A gente terá uma solução mais rápido do que imagina se tivermos um medicamento", afirmou, ao comentar as pesquisas com um antiviral com resposta positiva.

O novo ministro salientou a importância de se cuidar para outras doenças e também para o risco econômico. Ele alertou para o risco de sobrecarga no Sistema Único de Saúde caso aumente o índice de desemprego.

"Essa situação, com tanta incerteza, você não consegue planejar muito na frente. A grande dificuldade é retirar do papel e das ideias", disse.

Teich ainda defendeu maior integração entre ministérios e avaliação diária da situação em estados e municípios.  "Os empresários também querem ajudar, a ideia é trazer todo mundo junto", acrescentou.

O ex-ministro Henrique Mandetta discursou na cerimônia e agradeceu Bolsonaro pelo tempo que esteve à frente do ministério.

Em seu discurso Bolsonaro fez uma analogia futebolística, dizendo que alguns no time têm que ser substituídos e pontuou que tem uma visão "um pouco diferente" da do ex-ministro, que, segundo o presidente, tinha mais foco na preservação da saúde e da vida. "A minha visão tem que ser mais ampla".

"Tenho certeza que o Mandetta deu o melhor de si para atingir seu objetivo e agradeço do fundo do coração. Aqui não tem vitoriosos nem derrotados. A história lá na frente vai nos julgar e peço a Deus que nós dois estejamos certos". 

Bolsonaro voltou a defender a reabertura do comércio e sinalizou a reabertura das fronteiras. O presidente também criticou o isolamento social, a adoção de medidas restritivas adotadas por prefeitos e governadores e lamentou não poder interferir nos poderes locais.

“Pena que e eu não posso intervir em muita coisa e o Supremo decidiu que as medidas restritivas têm que ser decididas pelos prefeitos e governadores. Vamos respeitar”, disse. Bolsonaro também criticou as prisões de pessoas que desrespeitam as medidas de isolamento para prevenir o contágio da COVID-19. 

O presidente também cobrou Teich para que leve em conta suas opiniões na condução do ministério. “Cumprimento sua coragem. Não é apenas ser ministro e buscar melhorar a saúde no Brasil. Agravado a isso tem a questão de uma pandemia. Seu trabalho é 24 horas por dia, sete dias por semana.”