'Não tem conversa de fechar nada', diz Bolsonaro após ir a ato antidemocrático


Da CNN, em São Paulo
20 de abril de 2020 às 09:36 | Atualizado 20 de abril de 2020 às 10:44

Um dia após discursar em um protesto que pedia intervenção militar, o fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal), além de referências ao AI-5, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse à imprensa que quer o Supremo e o Legislativo abertos. 

"Não tem essa conversa de fechar nada. Dá licença aí. Aqui é democracia. Aqui é respeito à Constituição Brasileira", disse Bolsonaro. "Supremo aberto, transparente. Congresso aberto, transparente. Nós, o povo, estamos no governo e não vamos aceitar provocações baixas, provocações rasteiras por parte da imprensa que está aqui."

O Ato Institucional n.º 5 revogou direitos fundamentais e delegou ao presidente da República o direito de cassar mandatos de parlamentares, intervir nos municípios e Estados, além de ter fechado o Congresso Nacional.

Bolsonaro ainda afirmou hoje que a manifestação do domingo (19) pedia a volta ao trabalho em meio à pandemia do novo coronavírus e disse esperar que essa seja a última semana do isolamento horizontal. "O povo nas ruas, em grande parte, pedindo a volta ao trabalho. Desde quando começou esse problema, há mais de um mês, eu vinha falando que devíamos que tratar desses dois problemas simultaneamente, o vírus e o desemprego", declarou. 

E continuou: "Falta inteligência para aqueles me acusam de ser ditadorial. O que que eu tomei de providência contra a imprensa e a liberdade de expressão? Eu, inclusive, sou contra as prisões que estão ocorrendo pelo Brasil, prendendo mulher de biquíni na praia, no Recreio dos Bandeirantes. Eu sou, realmente, a Constituição"

Com isso, o presidente voltou a atacar as medidas adotadas por estados para conter o avanço do COVID-19 e prevenir o colapso do sistema de saúde. "A situação econômica do Brasil está se agravando. As consequências são a violência, o caos, mortes, fome, desgraça e tudo o que está aí. Tudo o que é feito com excesso acaba tendo problemas. Essas medidas restritivas, em alguns estados, foram excessivas e não atingiram seu objetivo. Aproximadamente 70% da população vai ser infectada", afirmou, sem apresentar dados científicos para embasar a declaração.

Bolsonaro ainda disse que irá fazer "a caneta vai funcionar" para todos os ministros que se desviarem. "Todos escolhidos com critérios. [Para] alguns que, porventura, se desviam dos critérios, a caneta vai funcionar", disse. "É para isso que sou presidente, para decidir. Se tiver que demitir qualquer ministro, demito. E não estou ameaçando, longe de ameaça, não tem ameaça da minha parte", acrescentou.