'Combate à corrupção sofre sério abalo', diz procurador sobre saída de Moro
Roberto Livianu avaliou perfil de sucessor de Valeixo a frente da diretoria geral da PF

O procurador também demonstrou preocupação com a demissão do delegado Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. "Vemos a exoneração de Valeixo de uma maneira muito preocupada. A PF ao lado do Ministério Público são instituições de importância capital no combate ao crime organizado. Esta forma como foi tratada a exoneração é absolutamente surpreendente e inadequada pois ele estava se destacando no órgão", avaliou. "O que se sabe é que, historicamente, este cargo é ocupado por pessoas de extrema confiança do Ministro da Justiça", conclui.
Livianu ainda colocou em dúvida a independência da corporação a partir da mudança de comando. "Como é que eles poderão assegurar a independência das investigações sem ter o respaldo da chefia? Aliás, qual será esta chefia? Vamos viver toda uma situação muito complexa", afirmou.
"O ministro Sergio Moro é um dos tentáculos deste governo. Eu não sei o que teremos de cenário pós queda dele, mas isso vai se refletir também na sucessão do delegado Valeixo, que me preocupa. Que tipo de profissional o substituirá? Realmente é temerário, preocupante imaginar que tipo de perfil o substituirá".
Ele criticou a forma como se deu a demissão do delegado. "Não é plausível em uma democracia que você lide com informações desta forma, tomando conhecimento de um assunto de extrema relevância por meio do Diário Oficial. A prioridade do país deve ser o enfrentamento da pandemia? O que justifica esta exoneração no meio deste momento?", indagou.