'Combate à corrupção sofre sério abalo', diz procurador sobre saída de Moro

Roberto Livianu avaliou perfil de sucessor de Valeixo a frente da diretoria geral da PF

Da CNN em São Paulo
24 de abril de 2020 às 11:21 | Atualizado 24 de abril de 2020 às 11:37
 
O combate à corrupção no país sofrerá um 'sério abalo' com a saída de Sergio Moro do comando do Ministério da Justiça. Esta é a avaliação do procurador Roberto Livianu, presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, em entrevista à CNN. 
 
"Tenho absoluta convicção de que o combate à corrupção sofrerá um sério abalo com a saída de Moro. Ele representa um símbolo maiúsculo do combate à corrupção no país, homem de coragem, de trajetória íntegra, conseguiu fazer com que a impunidade se torne regra absoluta. Conseguiu construir uma nova página. O país perde muito com sua saída e acredito que é muito dificil que nós tenhamos uma substituição que nos coloque em um patamar minimamente equivalente", explica.
 
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O procurador também demonstrou preocupação com a demissão do delegado Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. "Vemos a exoneração de Valeixo de uma maneira muito preocupada. A PF ao lado do Ministério Público são instituições de importância capital no combate ao crime organizado. Esta forma como foi tratada a exoneração é absolutamente surpreendente e inadequada pois ele estava se destacando no órgão", avaliou. "O que se sabe é que, historicamente, este cargo é ocupado por pessoas de extrema confiança do Ministro da Justiça", conclui.

Livianu ainda colocou em dúvida a independência da corporação a partir da mudança de comando. "Como é que eles poderão assegurar a independência das investigações sem ter o respaldo da chefia? Aliás, qual será esta chefia? Vamos viver toda uma situação muito complexa", afirmou. 

"O ministro Sergio Moro é um dos tentáculos deste governo. Eu não sei o que teremos de cenário pós queda dele, mas isso vai se refletir também na sucessão do delegado Valeixo, que me preocupa. Que tipo de profissional o substituirá? Realmente é temerário, preocupante imaginar que tipo de perfil o substituirá".

Ele criticou a forma como se deu a demissão do delegado. "Não é plausível em uma democracia que você lide com informações desta forma, tomando conhecimento de um assunto de extrema relevância por meio do Diário Oficial. A prioridade do país deve ser o enfrentamento da pandemia? O que justifica esta exoneração no meio deste momento?", indagou.