Defesa de Ronnie Lessa desconhece depoimento prestado para a PF


Leandro Resende, da CNN no Rio
24 de abril de 2020 às 22:37 | Atualizado 25 de abril de 2020 às 14:15
Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz

Polícia divulga fotos dos suspeitos de matarem Marielle Franco e Anderson Gomes

Foto: Arquivo/Tomaz Silva/Agência Brasil


A defesa do ex-policial militar Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos que tiraram a vida da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em 2018, afirmou à CNN que desconhece qualquer depoimento dele à Polícia Federal.

Em pronunciamento na tarde desta sexta-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que solicitou que a PF fizesse um interrogatório com Lessa quando ele estava preso em Mossoró, no Rio Grande do Norte. O objetivo, segundo ele, era que o ex-PM falasse sobre a relação de ambos. O motivo seria a informação de que a filha de Lessa teria namorado um de seus filhos.

"Apareceu que meu filho 04 teria namorado a filha desse ex-sargento", afirmou Bolsonaro durante o pronunciamento que fez após a saída de Sergio Moro do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Em contato com os advogados que atuam na defesa de Lessa, a CNN foi informada de que receberam com “surpresa" a declaração dada por Bolsonaro. "Da parte da defesa, nunca tivemos conhecimento sobre qualquer ida da Polícia Federal ao presídio de Mossoró para conversar com o Ronnie Lessa, sobre qualquer assunto que seja. A não ser que isso tenha ocorrido de forma obscura", declarou o advogado Bruno Castro.

A CNN também falou com o advogado que atuou na defesa de Lessa enquanto ele esteve preso em Mossoró - segundo ele, Ronnie não foi ouvido pela PF. O ex-policial militar ficou no presídio entre março e julho de 2018. Depois, foi transferido para o presídio de Porto Velho, em Rondônia.

A reportagem também questionou a advogada que atua lá e ela negou que o depoimento tenha sido prestado.

No dia 5 de novembro de 2019, quem esteve no presídio de Porto Velho foram policiais civis do Rio de Janeiro, responsáveis pela investigação, que ofereceram um acordo de delação premiada a Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, outro réu acusado do homicídio de Marielle e Anderson.

A filha de Ronnie Lessa, mencionada pelo presidente Jair Bolsonaro, afirmou à CNN que nunca teve conhecimento do depoimento prestado pelo pai à PF, como alega Bolsonaro.

"Se um presidente aciona um órgão desses para isso, por quais outros motivos ele movimentaria a PF a seu favor? Esse é o mesmo questionamento do então ministro Sergio Moro", afirmou ela, que preferiu manter seu nome sob anonimato. Em um comunicado colocado por ela nas redes sociais, ela diz que foi "difamada" e que jamais teve qualquer relação com o filho do presidente Jair Bolsonaro.