PSOL quer que Augusto Aras investigue interferência de Bolsonaro na PF

Ao anunciar demissão, ex-ministro Sergio Moro relatou ingerência do presidente no órgão

Gabriela Coelho Da CNN, em Brasília
24 de abril de 2020 às 14:02
O procurador-geral da República Augusto Aras
Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

O PSOL solicitou ao procurador-geral da República, Augusto Aras, que a PGR que investigue a acusação do ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) interferiu na Polícia Federal.

A legenda ainda solicita que o órgão empreenda medidas para a busca e apreensão de todas as provas e indícios nas investigações em curso que envolvam Bolsonaro e seus aliados. O objetivo é interromper a destruição destas evidências.

“O presidente da República, como testemunhado por todo país, participou ativamente de medidas de embaraço de investigações. De acordo com as informações divulgadas hoje pelo então ministro Sergio Moro, Bolsonaro tentou intervir nas investigações em curso da Polícia Federal. A interferência política pode levar a relações impróprias entre o diretor da PF e o presidente da República”, disse o partido, em trecho do pedido.

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Moro deixou o comando do Ministério da Justiça nesta sexta-feira (23) após Bolsonaro demitir o diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo. Ao anunciar sua saída, Moro afirmou que o presidente buscava obter informações de investigações da PF. 

"O presidente disse que queria alguém do contato pessoal dele para ligar e colher informações, relatórios de inteligência. Não é papel da PF presta esse tipo de informação. Imagine se na Lava Jato ministros ou o ex-presidente Dilma ficassem ligada para o superintendente em Curitiba", afirmou Moro.