Joice Hasselmann: Bolsonaro quer transformar a PF em polícia política


Da CNN, em São Paulo
27 de abril de 2020 às 19:40 | Atualizado 28 de abril de 2020 às 10:24

Durante a campanha presidencial de 2018, Joice Hasselmann foi uma das principais aliadas de Jair Bolsonaro. Porém, a relação da deputada do PSL com o presidente se desgastou, principalmente após disputas para o controle do partido com Eduardo Bolsonaro.

Em entrevista exclusiva à CNN, ela defendeu o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, e disse ainda que Bolsonaro pretende transformar a Polícia Federal (PF) em uma Gestapo, a polícia secreta da Alemanha nazista.

Joice é uma das principais fontes da CPI das Fake News. Ela afirmou à CNN que o "gabinete do ódio" é real, e funciona como arma para os "bolsonaristas" difamarem as pessoas que são contra o presidente nas redes sociais.

A deputada afirmou ainda que o suposto gabinete não está somente no Palácio do Planalto, mas que é ramificado em gabinetes do Congresso Nacional e em Assembléias Legislativas.

“Quando falo de 'gabinete do ódio', pensam naqueles que estão no Planalto, mas é muito mais do que isso, a equipe no Executivo é apenas a célula principal. Há ramificações dentro do Congresso, não só no gabinete do Eduardo Bolsonaro, mas outros ditos bolsonaristas estão envolvidos nisso. Há gente nas Assembleias Legislativas do Rio de Janeiro. Em São Paulo, há um enorme número de pessoas de movimentos de direita ganhando para atacar pessoas”.

"Não é à toa que não somos mais alinhados ao governo, justamente por nao respeitar as instituições democráticas partidárias. A deputada Joice Hasselmann é nossa lider e goza de toda a credibilidade em seus comentário", disse Luciano Bivar, presidente do PSL.

 

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Joice afirmou que teve acesso a diversas provas que incriminam os participantes do gabinete, e que já levou todas as evidências para o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF). “Eu duvidava do gabinete do ódio até viver na pele seus ataques, então comecei a investigar e comprovei sua existência. Há dinheiro público e privado envolvido e se somados esses valores, os números são acachapantes”.

Interferências na PF

Em relação às supostas interferências de Bolsonaro na Polícia Federal, Joice afirmou que o objetivo do presidente em interferir no órgão seria parte de seu desejo em transformar a PF em uma Gestapo, feita para perseguir adversário políticos.

“Estamos vivendo um estado de exceção, e a coisa não começou agora, mas foi se intensificando conforme as investigações chegaram nos filhos do presidente. Bolsonaro quer criar uma Gestapo.”

A deputada eleita por São Paulo relembrou a tentativa do presidente de criar uma “ABIN paralela”, e disse que um dos que se opuseram a isso foi o então ministro Gustavo Bebianno, que após se negar a aceitar esta ingerência, passou a ser atacado pelo gabinete do ódio.

“No início do governo tentaram criar uma ABIN paralela, que foi barrada por Bebianno e Santos Cruz. Não são acusações, são fatos comprovados pelo que Bebianno falou em entrevistas, são informações que eu descobri e que depois foram confirmadas por fontes no coração do Palácio”.

Sobre a nomeação de Alexandre Ramagem para diretor-geral da Polícia Federal, Joice disse que o nome é ligado aos filhos do presidente. “Ramagem é uma tragédia para a PF, é o amigo 'baladeiro' de Carlos Bolsonaro. Estamos vivendo um chavismo travestido de direita.”

Ainda sobre Moro, Joice afirmou que o ex-juiz da Operação Lava-Jato saiu do governo por não aguentar mais a interferências do presidente.

“Moro engoliu todos os sapos, tentou ao máximo fazer seu trabalho e só não foi demitido antes porque a popularidade dele era maior que a do presidente. Ele foi demitido porque estava conseguindo impedir interferência direta de Bolsonaro, que mostrou não ter condição nem moral nem psicológica para ser presidente.”