Troca no comando da PF expõe racha na corporação 

Alexandre Ramagem foi confirmado como novo diretor-geral da Polícia Federal

Basília Rodrigues
Por Basília Rodrigues, CNN  
28 de abril de 2020 às 02:28
Alexandre Ramagem Rodrigues é o novo diretor-geral da PF
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A nomeação do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem como novo diretor-geral da Polícia Federal foi confirmada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (28).

A chegada de um novo diretor-geral da Polícia Federal sempre mobiliza a categoria em torno de uma pauta de reivindicações, entre elas, a autonomia da PF, que expõe uma antiga diferença entre delegados e agentes.

Para delegados, a PEC da autonomia que já tramita no Congresso desde 2009 deve ser aprovada. Mas para boa parte da corporação, esse mesmo texto amplia poderes de quem já tem postos de comando na PF, permitindo que a instituição crie cargos, estabeleça os próprios salários e não esteja mais subordinada ao Ministério da Justiça.

Na tréplica, delegados respondem que os agentes são contra porque querem ser promovidos internamente a delegado, sem fazer concurso.

Quando decidiu retirar Maurício Valeixo do comando da PF, o governo fez um aceno à categoria de que está disposto a discutir a autonomia da PF em uma nova versão de texto - missão que cairá no colo do novo diretor-geral, Alexandre Ramagem. Apesar do clima de desconfiança dentro da instituição, as entidades que representam a categoria afirmam estarem dispostas ao diálogo.

"Ramagem é um bom nome para a Direção Geral. Vamos trabalhar em parceria, mas sempre deixando claro que não aceitaremos interferências políticas em nossas investigações", afirmou Luís Antônio Boudens, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, à coluna. A Fenapef é a mais representativa dentro da corporação com 14 mil filiados.