'Sem ajuda, estados não teriam como cumprir compromissos', afirma Caiado

Governador de Goiás diz que socorro garantirá a folha de pagamento dos funcionários e fornecerá condições mínimas para o combate à pandemia de coronavírus

Da CNN, em São Paulo
30 de abril de 2020 às 17:37 | Atualizado 30 de abril de 2020 às 17:40
 

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), conversou com a CNN na tarde desta quinta-feira (30) sobre o pacote de ajuda aos estados e municípios que o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, fecharam acordo. Para ele, se não houvesse esse socorro, "dificilmente tanto nós governadores como [os prefeitos de] municípios teríamos condições de cumprir com nossos compromissos".

"A nossa receita [da região Centro-Oeste] principal é o ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]. Com relação ao FPE [Fundos de Participação dos Estados], o significado para nós é muito pequeno, ele atinge 11%, 12% no máximo da nossa receita. 80% é o ICMS. Portanto, quando se tem uma perda significativa, os estados produtores são muito penalizados", disse.

"Insisti para que esse repasse desse condição para que os estados que são exportadores e que hoje já não têm a recomposição da Lei Kandir, que sejam neste momento atingidos na reposição do valor nominal de 2019. Isso nos garantirá a folha de pagamento e condições mínimas para atuarmos na pandemia", continuou.

O plano fala de um total de repasse de R$ 60 bilhões para estados e municípios, o que é menos do que tinha sido previsto pela Câmara. Além disso, um dos critérios de distribuição do dinheiro é o índice de contaminação de cada estado pelo coronavírus.

Na avaliação de Caiado, esta tese é "injusta". "Iniciei a quarentena antes de ter qualquer caso de coronavírus no estado de Goiás. Se hoje temos um menor percentual [de infectados] é em decorrência dos 40 dias que mantive o isolamento, com exceção das atividades essenciais", explicou.

"Eu realmente gostaria que os nossos senadores da República não deixassem que prevalecesse um método inventado agora. Se não for por aquilo que perdemos, será extremamente difícil termos condições de arcar com as nossas despesas obrigatórias", afirmou.

Sobre como enxerga os últimos acontecimentos relacionados ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como a demissão do ex-ministro Sergio Moro, Caiado questionou se este é o momento de estarmos discutindo a opinião de 'A' ou 'B'. "Precisamos construir um Brasil solidário", disse.

Hoje, Bolsonaro participou de um evento no Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, e, ao final, disse em entrevista para a Rádio Guaíba que "talvez tenha pego o vírus no passado". 

Questionado sobre o que achava dessa fala, Caiado foi enfático: "não vou ficar comentando fala do presidente. Salvar vidas é o assunto que me toma todo tempo e é o onde tenho concentrado todas minhas ações".