Parlamentares pedem que STF antecipe depoimento de Moro em inquérito

Ex-ministro deverá ser ouvido em apuração sobre interferência de Bolsonaro na Polícia Federal

Gabriela Coelho Da CNN, em Brasília
30 de abril de 2020 às 16:37
Ao anunciar demissão do Ministério da Justiça, Moro acusou Bolsonaro de interferir na PF
Foto: CNN (24.abr.2020)

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e os deputados Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES) apresentaram um pedido, nesta quinta-feira (30), para que o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, antecipe o depoimento do ex-ministro Sergio Moro no inquérito que apura a suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na autonomia da Polícia Federal.

Os parlamentares argumentam que o prazo de 60 dias para ouvir o ex-ministro pode se "demonstrar excessivo" em razão gravidade das suspeitas que recaem sobre o presidente da República. “O prolongamento da crise política resulta em prejuízos para o combate às concomitantes crises na Saúde e na Economia. Nesse sentido, a elasticidade do prazo concedido pode redundar em iminente risco de perecimento das provas”, dizem os parlamentares.

O pedido se dá na ação em que o decano do STF autorizou a abertura de um inquérito para investigar as acusações do ex-ministro da Justiça. Celso de Mello também fixou um prazo de até 60 dias para que a Polícia Federal ouça Moro, conforme solicitado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras. 

O objetivo do inquérito é apurar se foram cometidos os crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça, corrupção passiva privilegiada, denunciação caluniosa e crime contra a honra.