Manaus precisa de ajuda e no Amazonas situação é tétrica, diz prefeito


Da CNN, em São Paulo
01 de maio de 2020 às 16:44 | Atualizado 01 de maio de 2020 às 19:28

A situação em Manaus é grave, tanto no sistema de saúde quanto funerário estão em colapso durante a pandemia do novo coronavírus. Em entrevista exclusiva à CNN nesta sexta-feira (1º), Arthur Virgílio Neto (PSDB), prefeito da capital do Amazonas, afirmou que a situação do estado é “tétrica” e que está “abandonado e jogado a própria sorte”. “Eu diria que Manaus virou a Itália”, afirmou.

Para ele, está faltando líder para enfrentarmos esta crise. “[Temos] um presidente que chega ao ponto de liderar o boicote do isolamento social”, disse. 

“Se eu pudesse fazer um pedido eu diria: 'presidente Bolsonaro, fique em casa. Faça o que o bom senso manda. Salve a vida de muitos compatriotas seus'”. “Falaria: 'presidente, mande ajuda para Manaus'”, continuou.

Sobre a flexibilização do distanciamento social, Neto afirmou que em Manaus a decisão será tomada quando estiverem começando a “ganhar a guerra”. “Antes disso, eu entendo que o plano é exatamente de incrementarmos os esforços até o dia 15 de maio com absoluto resguardo social”, afirmou.

O prefeito tucano disse que ontem conversou com o governador do Amazonas, Wilson Miranda Lima (PSC). “Ele propôs um plano de reabertura do comércio. Eu disse a ele que somos aliados na questão do coronavírus até o final, mas não podemos abrir aquilo que não fechamos. As pessoas não obedeceram. A maior autoridade da nação disse que é para abrir e nós [falamos] para fechar”, contou.

Ajuda

Neto disse que considera significativa a ajuda da iniciativa privada, mas que, do ponto de vista do governo federal, a ajuda tem sido “ínfima”.  

“[O governo federal] tem prioridade zero para Manaus. Eu estou recusando caixões porque não existe crise de caixão aqui, existe a tentativa da iniciativa privada desse setor de explorar a classe média e a classe mais alta”, contou.

“Eu espero acordar o mundo porque eu não consigo acordar o Brasil para a importância estratégica do meu estado, da minha região. Dessa região que segura o aquecimento global, que segura muitas desgraças que poderiam estar acontecendo no mundo inteiro”, afirmou.

Bolsonaro

Para Neto, Bolsonaro, como chefe de um poder, tem o dever de mostrar à sociedade os exames para a COVID-19. Sobre as frases polêmicas do presidente, o prefeito citou quando Bolsonaro falou que não é coveiro ao ser questionado sobre o aumento do registro de óbitos pelo coronavírus. 

“Não me interessa o que ele é. Pediria a ele para respeitar os coveiros, os profissionais de saúde. Quem tem responsabilidade pública deve ter uma visão mais elevada, um olhar mais generoso e digno em relação a tantas pessoas que estão morrendo”.

Neto falou ainda que cada dia que passa considera as palavras do chefe do Executivo mais “insensatas” e “irresponsáveis” quando se trata de coronavírus.

O Ministério da Saúde divulgou na tarde de hoje o novo balanço dos casos do novo coronavírus no Brasil. Segundo a pasta, há 91.589 diagnósticos confirmados e 6.329 óbitos.

Outro lado

Em nota, o Ministério da Saúde falou que já enivou R$ 68,5 milhões diretamente ao estado e municípios.

"Para fortalecer a rede de saúde pública local, o Ministério da Saúde já repassou R$ 68,5 milhões diretamente para o estado e município, além do envio de 1,2 milhão de Equipamentos de Proteção Individual, 55 respiradores, 40.768 testes RT-PCR e 46.560 testes rápidos. Além disso, enviou 29 profissionais de saúde sendo 8 médicos, 19 enfermeiros e 2 fisioterapeutas voluntários da Força Nacional do SUS. Também abriu cadastro para profissionais das 14 áreas da saúde que possam reforçar o combate à COVID-19 no país, sendo que as primeiras equipes devem ser direcionadas para o estado do Amazonas", diz a pasta.