Moro é quem queria 'ingerência' na PF, não Bolsonaro, diz advogado do presidente


Da CNN, em São Paulo
06 de maio de 2020 às 18:07

Advogado pessoal do presidente Jair Bolsonaro, Frederik Wassef criticou nesta quarta-feira (6), em entrevista exclusiva à CNN, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Para Wassef, a resistência do ex-ministro em concordar com a demissão do então diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, indica que Moro era quem gostaria de ter "ingerência" sobre a corporação.

"O que se acusa o presidente Jair Bolsonaro, é o contrário. Todos os indícios apontam que quem estava em uma situação irregular, querendo ter essa ingerência, era o próprio ex-ministro", diz o advogado. Ele diz que o ex-ministro abdicou da "relação impessoal" entre o ministério e a Polícia Federal ao defender Valeixo.

Questionado se essa mesma prática de relação pessoal não teria sido adotada pelo presidente Jair Bolsonaro, ao fazer a nomeação do delegado Alexandre Ramagem, amigo pessoal e de sua família, o advogado Frederik Wassef negou. "É óbvio que o presidente vai nomear alguém da sua confiança", disse Wassef, que afirmou ainda não ter conhecimento da amizade entre Ramagem e o presidente.

O advogado comentou sobre o depoimento que o ex-ministro Sergio Moro concedeu no último sábado (2), no inquérito que apura possível interferência política de Bolsonaro na PF, e ressaltou o ponto em que o ex-juiz diz "não ter atribuído crime" ao presidente. "Quem fala, restabelece a verdade, é o próprio Sergio Moro", disse.

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Em seu depoimento, revelado em primeira mão pela CNN, Sergio Moro disse que não afirmou que o presidente Jair Bolsonaro tenha cometido crimes porque entende que quem deve atestar isso são as autoridades de Justiça. A fala do ex-ministro vem sendo interpretada como uma tentativa de evitar um possível processo por denunciação caluniosa caso, eventualmente, o presidente venha a ser absolvido.

Confrontado com outro ponto do depoimento do ex-juiz, em que Moro diz que o presidente Jair Bolsonaro afirma enfaticamente que "quer" a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Wassef disse não saber qual é o interesse do presidente neste cargo.

No entanto, o advogado defendeu que o presidente possa indicar cargos técnicos de dentro da corporação e afirmou que "talvez" a preocupação de Bolsonaro fosse com a "ineficiência" da PF, em especial com a segurança pública. "O Rio de Janeiro mais se assemelha a um país narcotraficante".

Após a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem pelo STF e a indicação, pelo presidente Jair Bolsonaro, de Rolando Alexandre como diretor-geral da PF, a troca no comando da superintendência do Rio foi consolidada. Saiu Carlos Henrique Oliveira, promovido a diretor-executivo da corporação, e assumiu o delegado Tácio Muzzi.