Direção do Novo tem visão centro-esquerda disfarçada de liberalismo, diz Salles

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ainda falou sobre os motivos para ter sido expuldo do Novo

Da CNN, em São Paulo
07 de maio de 2020 às 14:44 | Atualizado 07 de maio de 2020 às 18:26

Expulso do partido Novo nesta quinta-feira (7), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou à CNN que a direção do partido deixa de escanteio pessoas de visão conservadora e tem uma visão "mais centro-esquerda disfarçada de liberalismo".

"Embora a direção nacional e o estatuto do partido digam que há espaço para todos os espectros - libertários, progressistas e conservadores, que é o meu caso -, a questão comportamental sempre foi um ponto de atrito", relatou ele. "Diz que aceita conservadores e tem uma visão de direita em vários temas, mas na prática há uma espécie de tentativa de escantear essas pessoas, porque essa visão do diretório nacional - que não é de todos os filiados - não quer a coisa conservadora, é mais centro-esquerda disfarçada de liberalismo", acrescentou.

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À CNN, o empresário João Amoêdo rebateu a declaração de Salles sobre o partido e disse que "não faz o menor sentido". "Eu entendo que ele tenha ficado irritado com a expulsão, mas acho que nós temos sempre que buscar a verdade. Uma das coisas que pregamos muito no Novo é que não acreditamos em salvador da pátria. São sempre as ideias, os princípios e valores que devem nortear a nossa atuação", disse o ex-candidato à Presidência da República.

Em relação à expulsão, que foi informada pelo ministro no Twitter, Salles classificou que trata-se de um "absurdo" com base em uma "manobra clara" para "criar caso contra o governo Bolsonaro". 

"Nós estamos falando aqui de um convite pessoal que foi feito dele a mim, lembrando que a norma que o partido criou para exigir que as pessoas se licenciem foi editada depois da minha posse. Ou seja, você não retrocede de uma norma para atingir alguém em um fato anterior", explicou. "Isso tudo mostra bem a manipulação das ideias que ocorreu no âmbito da direção partidária e que já havia essa intenção de criar caso contra o governo Bolsonaro", avaliou.

A filiação de Salles já havia sido suspensa pela Comissão de Ética da legenda em outubro de 2019, sob alegação de que o ministro vinha "desdenhando de dados científicos", "revogando políticas públicas sem qualquer debate prévio" e "atuando com absoluta irresponsabilidade" à frente da pasta.

Na publicação na rede social, Salles afirmou que "entre o ex-candidato à Presidência da República e presidente do Novo, João Amoêdo e Bolsonaro, fico com Bolsonaro".