Aras pede ao STF que envie vídeo de reunião ministerial para avaliar sigilo

Na reunião, o presidente Jair Bolsonaro teria manifestado, segundo o ex-ministro Sergio Moro, a intenção de interferir na Polícia Federal

Gabriela Coelho, da CNN em Brasília
09 de maio de 2020 às 16:10 | Atualizado 09 de maio de 2020 às 17:17
O procurador-geral da República, Augusto Aras
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu neste sábado (9) que o STF (Supremo Tribunal Federal) autorize o envio do vídeo da reunião ministerial em que o presidente Jair Bolsonaro teria manifestado, segundo o ex-ministro Sergio Moro, a intenção de interferir na Polícia Federal. Aras fez o pedido alegando que precisa analisar o conteúdo para poder opinar quanto à necessidade de sigilo.

O procurador também abriu espaço para que as defesas de Moro e Bolsonaro acompanhem a diligência de envio do vídeo. 

"Não consta que o registro audiovisual requisitado tenha sido classificado como ultrassecreto, secreto ou reservado", disse Aras. "Com efeito, qualquer juízo desta Procuradoria-Geral da República quanto ao sigilo documental demanda o prévio conhecimento do seu conteúdo."

Ainda segundo o procurador-geral, "conhecer o teor do vídeo é necessário para orientar a autoridade policial e os procuradores da República auxiliares nas oitivas que serão iniciadas na manhã de 11 de maio de 2020, segunda-feira".

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O governo federal entregou ao Supremo no fim da tarde desta sexta-feira (8) o vídeo da reunião ministerial, que foi citada por Moro no seu depoimento à PF dentro da investigação sobre as acusações feitas pelo ex-ministro ao presidente da República. 

Ao receber o material da Advocacia-Geral da União (AGU), o ministro Celso de Mello, do STF, decidiu colocar sigilo sobre o HD externo encaminhado. De acordo com o despacho, o sigilo tem caráter “pontual e temporário”.Celso de Mello disse ainda que vai levantar a confidencialidade do material, em “momento oportuno”, a depender do conteúdo.