Em depoimento de Heleno, PGR indica que Bolsonaro falou em 'proteger familiares'

Renata Agostini
Por Renata Agostini, CNN  
13 de maio de 2020 às 00:02 | Atualizado 13 de maio de 2020 às 06:54


A Procuradoria-Geral da República indicou ter entendido que, ao acompanhar a gravação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro fez referência especificamente à superintendência-geral do Rio de Janeiro e à proteção de “familiares e amigos”.  A referência aparece em trecho da transcrição do depoimento do general Augusto Heleno, que a CNN teve acesso.

“Que perguntado sobre uma fala do presidente no vídeo da reunião do dia 22 de abril exibido nesta data por ordem do STF, que, no entender da PGR, se referia ao Superintendente do Rio de Janeiro, em que o Presidente fala em proteger seus familiares e amigos, e perguntando quem são esses familiares e amigos o depoente respondeu que precisaria assistir ao vídeo para poder responder”, diz o documento.

O vídeo da reunião foi apresentado em uma sessão na manhã desta terça-feira, 12, para Sergio Moro e seus advogados, para a Advocacia-Geral da União e para representantes da Procuradoria-geral da República justamente para auxiliá-los na condução dos depoimentos com os ministros militares: Augusto Heleno (GSI), Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).  

Ao longo do dia, Bolsonaro decidiu dar sua versão sobre a reunião ministerial e negou que tenha falado sobre mudanças na estrutura da Polícia Federal.

“Não existem no vídeo as palavras ‘Polícia Federal’ nem ‘superintendente’. Não existem as palavras ‘superintendente’ nem ‘Polícia Federal’”, afirmou o presidente durante a tarde.

Os próprios ministros militares disseram em seus depoimentos que houve uma cobrança geral do presidente a diversos ministérios e que, ao falar em troca de equipe, Bolsonaro estava se referindo a eventuais falhas em sua segurança pessoal e de sua família.

O entendimento da PGR, segundo este documento, aproxima-se mais, portanto, à versão apresentada por Moro para o que ocorreu no encontro. Segundo o ex-ministro, nesta reunião, o presidente falou que "se não pudesse trocar o Superintendente do Rio de Janeiro, trocaria o Diretor Geral e o próprio Ministro da Justiça".