Bolsonaro: quem espera 'xeque-mate' com vídeo de reunião 'vai cair do cavalo'


Da CNN, em São Paulo
14 de maio de 2020 às 19:55 | Atualizado 14 de maio de 2020 às 20:51
O presidente Jair Bolsonaro durante sua live semanal

O presidente Jair Bolsonaro durante sua live semanal

Foto: Reprodução/Facebook (14.mai.2020)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quinta-feira (14) que quem espera que o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril seja um "xeque-mate", vai "cair do cavalo". O presidente defendeu a divulgação de trechos da gravação, mas afirmou que a divulgação na íntegra poderia colocar em risco o país e as relações com parceiros comerciais.

Durante sua live semanal, Bolsonaro disse contar com a sensibilidade do relator do caso, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello, para evitar "liberar tudo".

Quase no mesmo horário da live, a AGU (Advocacia-Geral da União) enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) manifestação defendendo a divulgação de todas as falas de Bolsonaro na reunião, e inclusive mandou algumas declarações do presidente na ocasião.

"Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar f. [palavrão] minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura", disse o presidente.

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O presidente mostrou em seu celular as mensagens entre a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e o ex-ministro Sergio Moro. Segundo Bolsonaro, a troca coloca uma "pá de cal sobre essa história de interferência na PF".

"Moro dá a entender que se cancelasse a exoneração de Valeixo, ele cancelaria a coletiva e não se falaria em interferência [na PF]", declarou. 

Mais cedo, a deputada já havia mostrado as mensagens à CNN e dito que defendia nomeações no STF antes mesmo de ser deputada, quando ainda era ativista.

As mensagens trocadas entre a deputada Carla Zambelli e Sergio Moro

As mensagens trocadas entre a deputada Carla Zambelli e Sergio Moro

Foto: CNN (14.mai.2020)

Auxílio emergencial

Junto de Bolsonaro, estava o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. Ele anunciou uma coletiva nesta sexta-feira (15) junto do ministro da Cidadania Onyx Lorenzoni para discutirem o auxílio emergencial.

Segundo Guimarães, os dois darão mais detalhes durante o evento, mas o pagamento da segunda parcela dos R$ 600 começará na segunda (18).

O econonomista anunciou também que contas digitais serão criadas para todos os beneficiários gratuitamente.

Teich e a hidroxicloroquina

O presidente disse que espera que o ministro da Saúde, Nelson Teich, anuncie nesta sexta-feira (15) uma mudança nos protocolos de administração da hidroxicloroquina, para pacientes com os primeiros sintomas da Covid-19. A diretriz atual diz que o medicamento só pode ser usado em casos graves.

O presidente diz que não hesitaria em ministrar o remédio a sua mãe idosa, caso contraísse a doença. "Vamos partir para a cloroquina imediatamente, não tem que esperar".

Código de trânsito

Bolsonaro também disse que discutiu nesta tarde com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um projeto de lei para alterar o Código Nacional de Trânsito.

O presidente propõe que a validade da habilitação e a pontuação na carteira dobrem. "O pessoal me critica, mas quem trabalha no trânsito, 20 pontos em um ano vão rápido. Estamos passando para 40", contou.

A proposta também exclui a necessidade de fazer os exames médicos necessários para obter ou renovar a carteira em locais conveniados ao Detran. "Seu pai, primo, qualquer médico que assine vai valer".

Bolsonaro disse esperar que o projeto seja levado a plenário na próxima semana. Maia já declarou que a Câmara dará prioridade a pautas ligadas ao combate da pandemia de Covid-19. 

Mais cedo, Maia adotou um tom conciliador ao falar sobre a reunião com Bolsonaro. Segundo Maia, ele e o presidente têm divergências a respeito do distanciamento social, mas isso não pode ser fator de conflito entre os poderes.