Há elementos que comprovam interferência de Bolsonaro na PF, diz advogado

Para Davi Tangerino, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), contexto e fatos posteriores à reunião ministerial deixam clara a ingerência do presidente

Da CNN, em São Paulo
14 de maio de 2020 às 19:04 | Atualizado 14 de maio de 2020 às 19:06

Davi Tangerino, advogado e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), disse para a CNN nesta quinta-feira (14) que, na sua avaliação, há elementos que comprovam a intenção de interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Polícia Federal, conforme as acusações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

“Por mais que Bolsonaro tenha tentado se distanciar do que foi dito, o contexto e os fatos posteriores à reunião deixam bastante clara essa ingerência”, disse. 

Para o advogado, o que ainda deve ser esclarecido é o motivo pelo qual o presidente possa ter tido a intenção de interferir na PF.

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“Há quem diga que seria mais compatível com o perfil do presidente, [que é] mais controlador, e que gosta de saber de tudo o que acontece. E ainda há uma versão mais negativa, que seria a de proteger a família e aliados. Seja como for, que houve ingerência isso me parece bastante claro”, afirmou.

Gravação

Sobre se o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve divulgar a íntegra ou não do vídeo da reunião ministerial realizada em 22 de abril, Tangerino entende que a reunião teve um conteúdo importante e de necessidade de preservação e sigilo. Portanto, é favorável à divulgação do trecho pertinente ao inquérito.

“Por mais que haja notícia de que o ministro da Educação teria falado mal dos ministros do Supremo, isso não é objeto de investigação e não é um crime”.